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O filme de ação e suspense no Prime Video que não te deixa respirar

Dezesseis meses após um acidente de trabalho, um detetive com perda auditiva precisa manter viva uma testemunha surda que viu um assassinato, enquanto policiais corruptos tentam encerrar o caso eliminando a única prova humana. Em “A Hora do Silêncio”, Brad Anderson coloca Joel Kinnaman e Sandra Mae Frank no centro desse impasse, com Mark Strong como presença que puxa o protagonista de volta ao serviço. A cidade é Boston, e o tempo é o presente, com urgência de relógio e pouca margem para confiar em canais oficiais.

Frank não entra na história como herói pronto, e sim como funcionário remendado. Ele volta ao departamento em função adaptada e passa a atuar como intérprete de língua de sinais quando Ava precisa registrar o que presenciou. A decisão que organiza o filme é simples e perigosa. Em vez de repassar a situação e se afastar, ele permanece por perto, tenta garantir que a informação circule, e descobre cedo que a rede de proteção tem vazamentos. O obstáculo é institucional, e a consequência é física. Se a ameaça usa os mesmos corredores e os mesmos códigos de autoridade, pedir ajuda pode encurtar o tempo de vida da testemunha.

Cerco que encolhe o mapa

Quando o jogo se fecha, o roteiro trata a autoproteção como trabalho manual. Frank tranca, vigia, testa caminhos e procura manter Ava fora de linhas de visão previsíveis, porque sabe que ouvir mal aumenta a chance de perceber tarde demais. Ava também precisa agir, não apenas reagir. Ela avalia em quem confiar, insiste quando a hesitação a colocaria em risco, e recua quando insistir chamaria atenção desnecessária. O obstáculo é o espaço, que oferece esconderijo e armadilha ao mesmo tempo, e o tabuleiro muda a cada tentativa de deslocamento.

Há um trecho em que a narrativa acelera sem enfeite. Eles se movem, param, recalculam. A cada escolha, uma saída some.

O thriller funciona melhor quando o filme mostra custo imediato. Ganhar alguns minutos significa perder terreno, deixar para trás um ponto seguro, ou aceitar uma rota mais exposta, e isso dá à ação um peso prático. A perseguição não depende de grandes reviravoltas para pressionar. Depende de decisões que parecem pequenas, mas que alteram risco, tempo e acesso a recursos, como telefone, elevador ou escada. O obstáculo aqui é a previsibilidade do próprio prédio, e a consequência é a sensação de que o lugar, de tão familiar, vira mapa usado contra eles.

Informação sem som

A direção encontra uma ideia clara e a aplica com disciplina. O desenho de som alterna abafamentos e cortes que empurram o espectador para a mesma tarefa dos personagens, ler o ambiente por vibração, luz e movimento, ou melhor, por aquilo que o quadro entrega antes que a cabeça complete o resto, e essa lacuna muda a hierarquia do perigo, porque um ruído que não chega pode ser tão decisivo quanto um tiro. A técnica não aparece para enfeitar. Ela altera o modo como a informação entra, e por isso altera também a velocidade com que Frank e Ava conseguem decidir.

Essa escolha também evita que a surdez vire acessório dramático. Sandra Mae Frank constrói Ava com intenção nítida, e o filme respeita o fato de que ela não é um pacote a ser transportado até um depoimento. Joel Kinnaman sustenta Frank na chave da frustração funcional, e isso dá sentido às ações dele, que não nascem de coragem abstrata, e sim de responsabilidade e teimosia. Quando a comunicação em língua de sinais se impõe, ela vira ferramenta de coordenação, encurta frases, reduz ruído e, ironicamente, aumenta a eficiência do grupo que está sendo caçado.

Polícia como ameaça direta

O conflito ganha força porque a ameaça veste o mesmo uniforme que deveria proteger. Isso não exige mistério, exige logística. Se o inimigo controla acesso, sabe quais portas costumam ficar abertas, e entende como travar uma versão oficial, a dupla perde o direito de errar. Frank tenta contornar o cerco com escolhas que preservem prova e sobrevivência ao mesmo tempo, mas esbarra em um problema clássico do gênero, qualquer gesto para se salvar pode parecer, por fora, culpa ou fuga. A consequência é isolamento, e o isolamento transforma cada encontro em teste.

No balanço, “A Hora do Silêncio” é mais eficiente quando mantém a história no tamanho certo, um prédio, poucos aliados, confiança mínima, e deixa o suspense nascer do atrito entre necessidade e cautela. Nem tudo surpreende, e algumas engrenagens se anunciam cedo, mas a condução segura de Anderson faz a ação depender de clareza de objetivo e de risco mensurável, não de espetáculo vazio. O filme termina sem oferecer conforto fácil, ancorado na ideia de que sobreviver também é saber comunicar no momento exato, com um gesto em língua de sinais.

Filme:
A Hora do Silêncio

Diretor:

Brad Anderson

Ano:
2024

Gênero:
Ação/Crime/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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