Maggie Kang e Chris Appelhans dirigem “Guerreiras do K-Pop” sem reduzir a própria premissa a piada. Rumi, Mira e Zoey formam o HUNTR/X, trio de K-pop que arrasta multidões, lota arenas e, fora dos refletores, assume a tarefa de conter demônios que ameaçam o mundo humano. A combinação de idolatria pop e caça sobrenatural aparece desde o início como regra daquele universo, não como surpresa reservada para depois. Isso dá impulso ao filme logo de saída, porque cantar, ensaiar, disputar fãs e sustentar o palco já fazem parte da luta pela sobrevivência.
O centro dessa lógica é o Honmoon, barreira espiritual mantida pela ligação entre grupos femininos e o público que os acompanha. HUNTR/X acredita estar perto de consolidar essa proteção, mas o quadro muda com a chegada dos Saja Boys, boy band demoníaca liderada por Jinu e moldada para capturar exatamente a mesma plateia. A disputa não fica no terreno da vaidade nem da concorrência comercial. Se os novos ídolos drenarem esse vínculo com os fãs, a barreira perde força, abre brechas e facilita a entrada de criaturas enviadas por Gwi-Ma para devorar almas humanas. A fantasia se firma justamente aí, ao tratar aplauso, desejo e devoção como matéria concreta de guerra.
“Guerreiras do K-Pop” também virou fenômeno fora da ficção, ao entrar para o Guinness como o filme mais visto da história da Netflix. O dado ajuda a medir o alcance de um projeto que entende muito bem a máquina de fascínio que está encenando. HUNTR/X canta diante de estádios lotados, e o corte seguinte já leva o trio para o confronto físico com demônios que atravessaram falhas do Honmoon, enquanto os Saja Boys avançam como grupo rival, produto sedutor e ameaça planejada. A graça está em ver tudo junto. O musical, a ação sobrenatural e a comédia de competição pop ocupam o mesmo espaço sem que uma parte precise pedir licença para a outra.
A encenação acompanha essa escolha com cor, velocidade e senso de espetáculo. As apresentações do HUNTR/X e dos Saja Boys não servem apenas para ornamentar o longa, porque a música interfere diretamente na guerra, move os fãs, fortalece ou enfraquece o Honmoon e redistribui poder entre os lados. O palco vira terreno de combate. Seoul, as arenas, a circulação do mercado pop e a rivalidade entre girl group e boy band deixam de ser fundo brilhante e passam a determinar o rumo da ação. O filme sabe explorar essa superfície sem tratá-la como embalagem vazia.
Há, porém, uma linha mais tensa no meio dessa disputa por plateia, e ela passa por Rumi. Enquanto tenta proteger a barreira e conter a ascensão dos rivais, a personagem esconde das amigas e do público a herança meio demoníaca que carrega, segredo que pesa mais à medida que Jinu cresce como presença, ameaça e ponto de atração. Isso desloca o centro da história para um lugar menos automático. Jinu não aparece só como líder de boy band maligna, porque também foi humano antes de vender a alma a Gwi-Ma em troca de fama e talento musical. Essa origem dá outro peso ao vínculo entre os dois e impede que o conflito se reduza à oposição mais simples entre grupo bom e grupo mau.
O filme cresce quando mantém essas pressões juntas sem perder o movimento. De um lado estão Rumi, Mira e Zoey, treinadas por Celine para sustentar o Honmoon e impedir o avanço dos demônios. Do outro, Jinu, os Saja Boys e Gwi-Ma, tentando esvaziar a plateia rival para abrir caminho às criaturas. O conflito mais delicado segue preso a Rumi, ao segredo que ela guarda e ao espaço que o inimigo ocupa nessa rachadura. Ainda assim, “Guerreiras do K-Pop” não abandona o prazer direto da sua engrenagem pop, feita de refrões, coreografias, rivalidade calculada e batalhas encenadas como grandes números. Quando tudo se junta, a guerra sobrenatural cabe inteira na boca do palco, entre luzes de show, gritos de fã e dentes à mostra.
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