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O filme com Cameron Diaz na Netflix que muita gente ignorou, mas hoje é visto como um de seus papéis mais fortes

Dirigido por Nick Cassavetes, “Uma Prova de Amor” parte de uma situação extrema e logo dispensa rodeios. Kate Fitzgerald tem leucemia, e seus pais, Sara e Brian, aceitam conceber outra filha por fertilização in vitro para que ela seja compatível com a irmã. A origem já é brutal. Anna nasce, assim, ligada a um destino médico que inclui doações sucessivas de sangue, células e medula.

Anos depois, quando a falência renal de Kate põe um rim em discussão, Anna decide ir à Justiça para pedir emancipação médica e poder escolher o que fazer com o próprio corpo. O conflito está dado. Nick Cassavetes organiza a história entre hospital, casa e tribunal, alternando o presente da disputa judicial com lembranças da formação daquela família. O recurso é conhecido, mas ajuda a dar espessura ao desgaste acumulado de todos os lados.

O interesse maior está menos no caso em si do que no modo como ele corrói a vida doméstica. Sara faz da sobrevivência de Kate um imperativo absoluto; Brian hesita, mas raramente transforma dúvida em gesto; Jesse, o irmão, cresce num canto, quase fora de quadro; e Anna passa da condição de filha à de reserva biológica da casa. Nada ali é leve. O filme acerta ao mostrar que a doença não atinge apenas quem está no leito.

Doença dentro de casa

Cameron Diaz sustenta bem a rigidez de Sara, personagem que corre o risco de parecer apenas autoritária, mas ganha densidade quando o desespero aparece sem ornamentação. Sofia Vassilieva evita reduzir Kate ao papel de vítima, e Abigail Breslin encontra o tom exato de uma menina que já não suporta ser tratada como extensão do corpo da irmã. Há marcas visíveis. Quando a doença aparece nos vômitos com sangue, na exaustão da quimioterapia e no cansaço que impregna o quarto, “Uma Prova de Amor” encontra seu chão mais convincente.

Nem tudo se acomoda com a mesma firmeza. O romance de Kate com Taylor, outro paciente oncológico, e a figura apagada de Jesse ampliam o alcance emocional da história, mas também dispersam um pouco o centro dramático. Há excesso. Cassavetes quer dar conta do melodrama familiar, da batalha judicial e da rotina hospitalar ao mesmo tempo, e por vezes essas frentes competem entre si em vez de se somarem.

Ainda assim, “Uma Prova de Amor” se sustenta porque não simplifica a dor nem distribui inocência de modo confortável. Anna quer defender o próprio corpo, Sara quer manter Kate viva, Brian vacila entre afeto e fraqueza, e Jesse assiste a tudo de fora, como se morasse na mesma casa e ao mesmo tempo não morasse. O filme termina sem aliviar esse impasse. Fica no ar o zumbido do hospital, a luz branca do corredor e uma família sentada perto demais da porta do quarto.

Filme:
Uma Prova de Amor

Diretor:

Nick Cassavetes

Ano:
2009

Gênero:
Drama/Família

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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