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O faroeste com Denzel na Netflix que parece ter “ressuscitado” o gênero

O faroeste com Denzel na Netflix que parece ter “ressuscitado” o gênero

Boa parte do interesse que o “Sete Homens e um Destino” de Antoine Fuqua despertou no júri do Festival Internacional de Cinema de Toronto, o TIFF, deve-se, claro, ao original, levado à tela por John Sturges (1910-1992) em 1960. O roteiro de uma equipe composta por seis autores, da qual destacam-se os japoneses Akira Kurosawa (1910-1998), Shinobu Hashimoto (1918-2018) e Hideo Oguni (1904-1996), passados mais de cinquenta anos, ainda impressiona, justamente porque, sensível, Fuqua inseriu todos os efeitos que fazem dessas histórias clássicos do cinema, conservando a aura do que já havia sido mostrado. Sturges, por seu turno, aproveitara “Os Sete Samurais” (1954) de Kurosawa, mas ambientando sua história no Velho Oeste, também mantendo o que o antecessor tinha de mais vívido — e isso é o que não permite que o enredo seja esquecido, sete décadas depois.

Rose Creek e o vilão Bogue

A poética fotografia de Mauro Fiore capta uma savana em tons de verde e amarelo abrindo-se para um cavaleiro com sua montaria e a espingarda, e o mundo que Fuqua pretende deslindar está completo. Quase toda a população de Rose Creek, cidadezinha pobre de Minnesota, no centro-norte americano, lota a igreja do reverendo interpretado por Mark Ashworth, ávida por encontrar um meio de combater um inimigo mais austero que as secas e a carestia, pouco depois do término da Guerra de Secessão (1861-1865), a Guerra Civil Americana. Trata-se de Bartholomew Bogue, dono da companhia mineradora que, além de explorar seus operários muitas vezes até a última gota de sangue, em jornadas exaustivas sem direito a nada mais que um salário de fome, não repassa nenhuma parte de seu lucro à gestão do vilarejo, e, como se por encanto, o mal toma corpo nessas coincidências tão próprias dos filmes — e que também a vida encarna em algumas situações.

Neste “Sete Homens e um Destino”, os roteiristas Richard Wenk e Nic Pizzolatto optam por não florear demais o que Kurosawa já eternizara em “Os Sete Samurais”, e dão maior ênfase ao antagonista, trabalho cuidadoso de Peter Sarsgaard, e seu contraponto, um anti-herói negro, maduro, amante de todos os vícios que cercam existências como a sua e um cavador de ouro — malgrado o diretor crie oportunidades para que o restante do profuso elenco brilhe. Denzel Washington, sempre com alguma carta na manga e muita bala no tambor, vira o grande passatempo do circo de horrores que era o coração selvagem da América dos primeiros cem anos desde o fim do domínio da Coroa inglesa, em 4 de julho de 1776.

Sam Chisolm e o contraponto moral

Subtenente de Wichita, no Kansas, bem no meio daqueles pouco mais de trinta estados americanos — hoje são 52 —, e, como gosta de detalhar, oficial de justiça licenciado nos territórios indígenas, no Arkansas, em Nebraska e outras sete unidades da federação, Sam Chisolm é o intruso que, precisamente por não conhecer onde está se metendo, é o único capaz de salvar Rose Creek da ganância de alguns filhos da terra. Num só take, Fuqua aponta o racismo de que Chisolm decerto padecia, estendendo a discussão para Billy Rocks, o mestiço de Lee Byung-hun. O que se tem aqui é um pouco mais que o velho modelo pólvora-e-poeira, embora o confronto final dos personagens de Sarsgaard e Washington, assumidamente inspirado em Kurosawa, seja antológico.

Filme:
Sete Homens e um Destino

Diretor:

Antoine Fuqua

Ano:
2016

Gênero:
Ação/Western

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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