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o epicentro global do vinho

A edição 2026 da Wine Paris consolida definitivamente o evento como um dos principais epicentros globais de influência para vinhos e destilados. Mais do que uma feira, tornou-se um ponto de convergência internacional para negócios, tendências e posicionamento estratégico do setor.

Por Waleska Schumacher, Haia – Países Baixos

Aberta a todas as categorias de bebidas, incluindo os segmentos no- e low-alcohol, a feira reforça seu papel estruturante na indústria mundial.

Wine Paris Philippe Labeguerie – Crédito: Divulgação

Os números confirmam essa expansão. Em 2026, a Wine Paris recebeu 63.541 visitantes profissionais de 169 países, sendo 51% internacionais, um crescimento de 20,75% em relação a 2025. Reuniu ainda 6.537 expositores de 63 países, também com 51% de participação internacional, representando um aumento de 20%.

Stand Wines od Brasil – Crédito: Waleska Schumacher

Na edição anterior, em 2025, o evento já havia demonstrado avanço expressivo, com 4.600 expositores de 50 países e mais de 50 mil visitantes provenientes de 140 mercados. O salto registrado agora não é apenas quantitativo. Ele indica ampliação geográfica, maior densidade de compradores e consolidação global.

É nesse cenário de crescimento que o Brasil também evolui.

Desde 2004, o projeto Wines of Brasil participa das principais feiras internacionais do setor. No entanto, a participação na Wine Paris 2026 marca uma inflexão estratégica.

Se em 2025 a presença brasileira teve caráter piloto, com três vinícolas buscando compreender a dinâmica da feira, em 2026 o país retorna com oito vinícolas representando Sul, Sudeste e Nordeste. Pela primeira vez, o Brasil apresenta-se não apenas como conjunto de marcas, mas como retrato territorial da vitivinicultura nacional.

Stand Wines od Brasil – Crédito: Waleska Schumacher

Estratégia e visão institucional

Para Rafael Romagna, responsável pela gerência de marketing internacional do Wines of Brasil, a consolidação da Wine Paris redefine o calendário estratégico do projeto. A feira tende a se tornar a principal ação internacional da iniciativa.

Romagna destaca que participar vai além da exposição comercial. É fundamental que diretores e gestores realizem visitas técnicas, observem tendências e absorvam inovação. Internacionalizar não é apenas vender. É aprender.

Rafael Romagna, Wines of Brasil – Crédito: Waleska Schumacher

Uma das tendências mais evidentes foi o fortalecimento do segmento Be-Lo. Questionado se o suco de uva brasileiro poderia integrar esse movimento, Romagna foi direto: sem dúvida. Para ele, trata-se de um produto único no mundo em qualidade e sabor. Falta posicionamento estratégico. No momento em que essa virada ocorrer, talvez não haja volume suficiente para atender à demanda externa.

A nova geografia do vinho brasileiro

A presença da mineira Barbara Eliodora, representada por Henrique Gusmão Bernardes, sócio-diretor da vinícola, evidenciou o avanço técnico do Sudeste. Trabalhando com Syrah de colheita de inverno, a vinícola recebeu retorno muito positivo de profissionais franceses, tradicionalmente exigentes com a variedade. Com produção limitada, a estratégia é iniciar pela França, privilegiando posicionamento antes de volume.

Henrique Gusmão Bernardes, sócio-diretor da vinicola Barbara Eliadora – Crédito: Waleska Schumacher

O Sudeste também marcou presença com a estreia internacional da Casa Almeida Barreto, representada pelo sócio-proprietário Gabriel Barreto. Atuando entre Minas Gerais e São Paulo, na Serra da Mantiqueira, a vinícola alia café e vinho em uma mesma identidade produtiva. O café da casa já está presente em restaurante Michelin na Suécia. Agora, o vinho pode compartilhar esse espaço. Um jantar de excelência termina com café de excelência. O Brasil apresenta-se como experiência completa.

Gabriel Barreto da tradicaocafeteleira ao mundo do vinho – Crédito: Waleska Schumacher

No Nordeste, a Verano Brasil, segundo Evandro Giacobbo, diretor comercial, levou à feira três pilares estratégicos: um branco de perfil tropical, um Malbec de clima quente que surpreendeu positivamente os visitantes e os vinhos do Vale do São Francisco. A essência da região, segundo a vinícola, carrega um DNA leve. Frescor, alegria e leveza definem uma nova fronteira agrícola com mais de 100 mil hectares de frutas plantadas, onde a vitivinicultura cresce de forma consistente.

Evandro Giacobbo representando a alegria do vinhos brasileiro junto a Verano Brasil – Crédito: Waleska Schumacher

Consolidação internacional e escala

O Grupo Miolo, representado por Lúcio Motta, gerente de exportações do grupo, destacou o aumento da presença internacional qualificada. Para ele, quanto mais vinícolas brasileiras participarem, mais forte se torna a categoria país.

A Miolo apresentou o Cuvée N°7, desenvolvido para o mercado sueco e aprovado em licitação pública com venda de 200 mil garrafas, o maior contrato de espumante brasileiro já realizado. O Lote 43 também chamou atenção, inclusive na França, demonstrando reconhecimento além do segmento de espumantes.

Lucio apresentando o ícono da Miolo – Lote 43 – Crédito: Waleska Schumacher
Lucio junto ao Embaixador de Marca para o Reino Unido – Crédito: Waleska Schumacher

A Cooperativa Vinícola Aurora, representada por sua gerente de exportação Giorgia Forest, retornou ao mercado europeu após período focado na Ásia. Destacou a qualidade do público visitante e o potencial estratégico da feira. Entre os produtos, os brancos leves e espumantes se sobressaíram, especialmente o Chardonnay de perfil fresco. A Aurora também apresentou seu vinho desalcoolizado, cuja receptividade foi positiva e demonstra alinhamento às novas tendências de consumo.

Aurora Chardonnay Varietal um dos destaques durante a Wine Paris 2026 – Crédito: Waleska Schumacher

Prestígio e construção de identidade

A Casa Valduga, representada por Luís Valduga, gerente de exportação da Família Valduga para Ásia, Europa, Reino Unido e Estados Unidos, confirmou a força do espumante brasileiro no segmento premium.

O 130 Blanc de Blancs, premiado como melhor espumante no concurso francês Effervescents du Monde e medalha de ouro no Masters of Chardonnay da Drink Business, mantém forte presença em mercados como Dinamarca e Portugal, com expansão prevista para o Reino Unido. O Blanc de Noir permanece como preferido de sommeliers. A edição limitada Maria Valduga Nature, com três mil unidades da safra 2020, reforça o posicionamento de alta gama.

Para Luís Valduga, levar a vinícola à feira é levar o Brasil. A palavra Brasil provoca sorriso imediato, gera curiosidade e abre portas. Participar sob a bandeira coletiva fortalece a construção da categoria nacional.

Cesar Baldasso, gerente de importação e exportação da vinícola Salton – Crédito: Waleska Schumacher

A Salton, representada por Cesar Baldasso, gerente de importação e exportação da vinícola, também relatou expectativas superadas. Destacou a estrutura da feira, a qualidade dos visitantes e a vantagem logística de Paris. Um de seus espumantes figura entre os selecionados pelo Effervescents du Monde. A comparação mais aprofundada entre Wine Paris e ProWein ficará para a próxima edição.

Uma das entradas de Wine Paris – Crédito: Waleska Schumacher
Rodrigo Arpini Valerio e Giorogia Forest da Vinicola Aurora, Mathilde Pfiffer da Veni Vidi Vinum e Waleska Schumacher – Crédito: Waleska Schumacher

De presença a posicionamento

Entre 2025 e 2026, o Brasil mudou de escala e de narrativa.

Apresentou diversidade climática, técnica de colheita invertida, tropicalidade assumida, espumantes premiados, vinhos tranquilos reconhecidos, desalcoolizados competitivos e integração estratégica com o café de excelência.

Cesar Bladasso e Mathilde Pfeiffer brindando pelo frescor e a alegrai do vinho brasileiro – Crédito: Waleska Schumacher

O país começa a ser percebido não como curiosidade exótica, mas como origem estruturada e plural.

Se 2025 foi o teste, 2026 foi a afirmação.

Luisa Valduag e Waleska Schumacher celebrando as amizades do mundo do vinho – Crédito: Waleska Schumacher

A Wine Paris consolida-se como epicentro global. E o Brasil, ao acompanhar esse crescimento, dá um passo decisivo para deixar de ser promessa e tornar-se categoria reconhecida no mapa mundial do vinho.



Fonte

Redação

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