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O drama sul-africano no Prime Video que funciona como terapia: um banho de vida sobre amor, finitude e lucidez

A história de um casal que chega à idade provecta tendo apenas um ao outro até o fim, trágico e escatológico, caminha entre a poesia e a angústia, a sobrepor elucubrações acerca das garantias ilusórias do casamento, da descendência, de carreiras bem-sucedidas e mesmo do amor, esse fogo que arde sem se ver e parece conservar-se sempre aceso. Sem ceder ao banal, “Um Tipo de Loucura” questiona nossa forma de lidar com o amor — e, mais importante, com o que pensamos do amor —, feito de gente, que um dia perece.

Contornando o sentimentalismo, Christiaan Olwagen e o corroteirista Wessel Pretorius urdem uma trama que chega ao coração do público de um jeito tortuoso, causando alívio e mal-estar, júbilo e tristeza, num equilíbrio delicado que o elenco mantém.

Um amor para recordar

Elna e Daniel são almas gêmeas que se encontram numa praia da Baía de Walker, mas não exatamente num contexto idílico. Aos nove anos, Ellie quase morrera afogada naquelas ondas e decidiu que nunca mais deixaria de experimentar a sensação do fim, para saber que a vida está sempre por pouco. Ela é “resgatada” por Dan, que atrapalha seu ensaio para a hora definitiva e a partir desse instante mágico os dois não se desgrudam, como o espectador logo percebe à medida que o enredo avança e aquele esdrúxulo primeiro contato torna-se uma família. Olwagen vai e volta no tempo com flashbacks que esquadrinham o relacionamento de Ellie e Dan aproximando-o do que qualquer um poderia já ter passado, ainda que um infortúnio se abata sobre eles.  A felicidade juvenil do primeiro segmento dá lugar a um manicômio, do qual Ellie é interna.

Os loucos

Como já se esperava, Dan não aguenta viver sem Ellie, invade o hospício e, agora sim, a socorre de verdade. Os dois saem na Ford Taunus amarela prontos a enfrentar o mundo enquanto metem-se em novas confusões. Dan abastece o carro e num piscar de olhos Ellie some, indo parar no brechó onde se encanta por um vestido de noiva usado, figurino perfeito para o sonho que imagina não ter realizado. O diretor mergulha na cabeça deliciosamente perturbada de Ellie, levando a narrativa rumo a um nonsense lúdico sobre o que se é e o que jamais se deixa de ser, não importa o que aconteça. Sandra Prinsloo faz da personagem um mosaico de emoções, todas ligadas à valorização do que de fato é precioso — muitas vezes, não necessariamente real. Suas cenas não seriam tão tocantes sem Ian Roberts, que nos faz saber o quer o filme, afinal.

Filme:
Um Tipo de Loucura

Diretor:

Christiaan Olwagen 

Ano:
2025

Gênero:
Drama

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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