O menoscabo com a natureza, a ânsia por um progresso desmesurado e sem ordem, a negligência para com as eternas distorções do capitalismo, fabricando catástrofes e multiplicando injustiças, todos esses fatores, reunidos ou cada qual tomado em sua complexa dimensão, são excelente matéria-prima para o cinema. Despretensiosamente, é o que faz Peter Strickland em “Vestido Maldito”, uma crítica tão estranha quanto veemente ao poder enfeitiçador da publicidade, inventando objetos e serviços de que não precisamos a fim de nos jogar na cara nossa insignificância. Com os dois pés no giallo, o terror italiano popularizado entre as décadas de 1960 e 1980, Strickland urde uma experiência sensorial labiríntica, na qual está sempre levando o público a conclusões equivocadas.
Todos sabemos que o dinheiro move o mundo, bem como também não é original pensar que um décimo da fortuna negociada numa única tarde na Bolsa de Londres é o suficiente para alimentar comunidades inteiras do Zimbábue, o país mais pobre do mundo, por meses. Pouca gente no mundo testemunha essa disparidade de tão curta distância quanto Sheila Woolchapel, uma bancária de cinquenta e poucos anos, recém-divorciada e mãe de um adolescente mimado. A vida doméstica é um refúgio cada vez mais instável depois de um dia de expediente num lugar onde contam os minutos que ela gasta no banheiro antes do almoço, e sua vida fica bem pior quando Vince, o filho único, leva a namoradinha, Gwen, para ir morar com eles. O diretor-roteirista confere a Sheila todas as características de uma mártir, e por isso é tão admirável sua insurreição. Pena que gore.
Sheila decide recorrer aos classificados amorosos na intenção de achar um parceiro. Tudo parece sair a contento, inclusive a compra de um vestido de festa, vermelho, para o encontro, que se revela um desastre. Ao voltar para casa, percebe que está tomada de feridas e sente um cheiro pútrido, como se a morte a tivesse pegado antes da hora. As loucuras de Strickland não atingiriam seu objetivo sem o mergulho corajoso de Marianne Jean-Baptiste no espírito atormentado de Sheila, um lugar tenebroso onde se vislumbram questionamentos sobre a maternidade e a servidão feminina, tópicos a que o filme chega com cautela e sem medo. “Vestido Maldito” até pode ser um terror à antiga, mas acerta com precisão muito do que tem apavorado sociedades ao redor do globo neste instante. E a realidade parece ainda mais monstruosa.
Filme:
Vestido Maldito
Diretor:
Peter Strickland
Ano:
2018
Gênero:
Comédia/Terror
Avaliação:
8/10
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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