Ritualizar o canto como ferramenta de proteção, como arte inquebrantável e expressão de força poética e sensível. Eis a lida da artista caruaruense Raquel Santana, que lançou seu primeiro álbum solo, “Canto e Espanto o Teu Quebranto”, trabalho que consolida quase duas décadas de trajetória ligada à cultura popular pernambucana e às pautas sociais que atravessam sua vida e sua música.
Disponibilizado nas plataformas digitais em 31 de dezembro de 2025, o álbum traz 12 faixas autorais e parcerias, além de um álbum visual – com nove faixas – que amplia a experiência do projeto. A produção musical do álbum é assinada por Zé Barreto de Assis, agrestino de Bezerros.
O lançamento na última data do ano não foi casual. “Eu escolhi o dia 31 pelo simbolismo mesmo, de fechar um ciclo. De entregar ao público um projeto em que investi muita energia, e renovar essa força para colher os frutos agora”, afirma Raquel.
Canto, espanto e quebranto
O título do disco nasce do refrão de “Afoxé Contra o Quebranto”. A canção que inspira o título surge como reação a um “trabalho feito”. “Essa música foi uma resposta, um canto de proteção. A minha arte é o jeito que eu encontro de expressar o que vivo, de me proteger e de comunicar o que penso”, diz.
Musicalmente, o álbum transita pelo coco, forró, baião e afoxé, dialogando com ritmos negros e indígenas, com o rap, o afrobeat e a cumbia. As letras abordam temas como racismo, machismo, maternidade solo, espiritualidade, reforma agrária e pertencimento territorial.
“É uma continuidade da música que eu sempre fiz nas Casas Populares da BR-232, com essa questão social muito evidente. A minha música reflete as minhas vivências”, resume Raquel, que tem trajetória ligada à educação popular, à agroecologia e à convivência com o semiárido.
Maternidade, poesia e parcerias
Raquel conta que a maternidade foi um divisor de águas no seu processo criativo. Depois de ser mãe, passou a compor e muitas das músicas nasceram de forma intuitiva, em madrugadas interrompidas pelo cuidado com os filhos.
A faixa “Quer ficar com mamãe” parte de uma frase e uma melodia criadas pelo próprio filho da artista.
O disco também se destaca pelo diálogo com a poesia, incluindo músicas a partir de textos de Solano Trindade – “Olorum Okê”, “Maracatu da Boneca de Cera” e “Xangô” –, influência que vem da atuação de Raquel no coletivo A Literatura Também Tem Pele Preta.
Entre parcerias e participações, o álbum conta as colaborações de Ana Letícia Cordeiro, Germano Rabello, Bell Puã, MC Caracol, Gabi da Pele Preta, Joana Xeba, Chris Mendes e DJ Nino Scratch, entre outros nomes da cena pernambucana.
Show
“Canto e Espanto o Teu Quebranto” ganhará, em breve, os palcos. O show de estreia será em 27 de março, no Sesc Caruaru, dentro de uma minicirculação que também passará por Triunfo e Juazeiro do Norte (CE).
A direção musical é de Hugo Linns, e Raquel será acompanhada por uma banda formada por Joana Xeba (vocais e percussão), Gabriel Bezerra (violão, percussão e viola), Valdemar Neto (viola de 12 cordas), Fábio Santos (baixo e percussão) e Nino Alves (percussão).
Segundo a cantora, o espetáculo foi pensado para evidenciar diferentes camadas do álbum. “Vai ter o lado mais dançante, mas também momentos de pausa, mais contemplativos, mostrando uma Raquel mais despida, só voz e viola”, antecipa.
Assim como o disco, o show propõe um encontro entre música, poesia e território, reafirmando o canto como gesto artístico, político e espiritual.
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