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Novo filme de Michael Keaton está no Prime Video e vai aquecer seu coração

A rotina de Andy Goodrich muda de forma abrupta em “Pai do Ano” quando, em pleno presente caótico de sua vida adulta, ele se vê sozinho em casa, nos Estados Unidos, obrigado a assumir responsabilidades que sempre evitou. Interpretado por Michael Keaton, Andy é um galerista acostumado a negociar obras, prazos e clientes, mas completamente despreparado para lidar com algo muito mais urgente: a criação dos filhos. A virada acontece quando sua esposa, Naomi, decide se internar por 90 dias em uma clínica de reabilitação, deixando para ele não apenas duas crianças de nove anos, mas também um cotidiano que exige presença constante, algo que ele nunca soube oferecer.

O problema não é apenas logístico, embora já fosse suficiente. Andy não sabe cozinhar direito, se atrasa para compromissos escolares, esquece horários e tenta resolver tudo como se estivesse ainda dentro da galeria, onde promessas podem ser renegociadas. Em casa, não funciona assim. As crianças precisam de atenção imediata, rotina mínima e alguém que esteja ali de verdade. E Andy, entre um telefonema e outro, vai percebendo que improvisar não resolve, só adia o inevitável.

Enquanto tenta manter a casa minimamente funcional, ele ainda carrega o peso de uma galeria de arte em crise. As dívidas se acumulam, os clientes hesitam, e cada reunião interrompida para resolver um problema doméstico vira mais um passo em falso profissional. Andy insiste em equilibrar os dois mundos, mas quanto mais tenta fazer tudo, mais evidente fica que ele está falhando em ambos. A vida, que antes ele administrava com certa distância emocional, agora cobra presença integral, e sem aviso prévio.

É nesse cenário que surge Grace, vivida por Mila Kunis, filha de seu primeiro casamento. Andy recorre a ela como quem pede ajuda prática, quase burocrática: organizar horários, cuidar das crianças, colocar ordem no caos. Mas Grace não chega como uma solução neutra. Ela traz consigo um passado mal resolvido, marcado justamente pela ausência do pai. E o que começa como uma ajuda pontual rapidamente se transforma em um confronto silencioso entre o que foi negligenciado e o que agora precisa ser reconstruído.

Grace assume parte do controle da casa com eficiência. Ela reorganiza a rotina, impõe regras simples e, aos poucos, devolve algum ritmo ao dia a dia. Só que essa organização tem um custo. Cada decisão prática vem acompanhada de um lembrete, às vezes explícito, às vezes não, de que Andy nunca esteve ali quando deveria. Ele tenta aliviar a tensão com humor, pequenas piadas e aquele jeito meio atrapalhado que Michael Keaton domina bem, mas nem sempre funciona. Algumas feridas não aceitam improviso.

O filme encontra boa parte de sua força justamente nesse equilíbrio entre o cômico e o desconfortável. Há momentos genuinamente engraçados, especialmente quando Andy tenta resolver tarefas simples e transforma tudo em um pequeno desastre doméstico. Preparar uma refeição vira um evento, acompanhar a rotina escolar se torna um desafio logístico, e qualquer tentativa de “facilitar” as coisas geralmente termina em mais confusão. O riso surge, mas quase sempre acompanhado de um leve constrangimento, porque fica claro que ele está aprendendo tarde demais.

Ao mesmo tempo, “Pai do Ano” evita dramatizar em excesso. A direção de Hallie Meyers-Shyer mantém a história ancorada em situações reconhecíveis, sem grandes explosões emocionais ou reviravoltas artificiais. O que move a narrativa são escolhas pequenas, do tipo que qualquer adulto já precisou fazer: atender um telefonema ou ouvir um filho, fechar um negócio ou cumprir um compromisso em casa. E, pouco a pouco, Andy começa a entender que essas decisões não são equivalentes.

A relação com Grace evolui nesse espaço de tentativa e erro. Não há reconciliações fáceis nem discursos prontos. O que existe é convivência, atrito e, aos poucos, algum tipo de entendimento. Ela não perdoa de imediato, ele não se transforma de uma hora para outra. Mas há um movimento, discreto, imperfeito, de aproximação. E isso já muda o equilíbrio entre eles.

Andy não se torna um pai exemplar no sentido clássico. Ele continua falhando, se atrapalhando e tentando encontrar o melhor caminho sem ter muita certeza de qual é. Mas há uma mudança importante: ele passa a estar presente. E, para alguém que sempre viveu adiando esse papel, isso já altera completamente sua posição, em casa, no trabalho e, principalmente, na forma como é visto por quem mais importa.

Filme:
Pai do Ano

Diretor:

Hallie Meyers-Shyer

Ano:
2024

Gênero:
Comédia/Drama

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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