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normal ter amigos imaginrios ou devo falar para o Tio ficar debaixo da cama?

Enzo e seu amigo Tio so inseparveis h mais de um ano. Eles compartilham segredos, brincam e governam reinos imaginrios. Enzo adora conversar e Tio um timo ouvinte. s vezes, Enzo tem ideias ruins e Tio o acompanha mesmo assim. Enzo muito real e Tio… no. Alguns pais se preocupam com seus filhos terem amigos que no podem ver ou ouvir, mas companheiros imaginrios so uma parte normal do desenvolvimento psicolgico de muitas crianas. E muitos adultos sabemos disso. Na verdade, eles at oferecem um tipo especial de apoio que amigos reais no podem proporcionar.


foto do meu pai quando tenha 20 anos.

Mas para entender isso, primeiro precisamos explorar o que leva certas crianas a criarem essas figuras fictcias. Na maioria das vezes, seus inventores esto simplesmente procurando algum para brincar.

Amigos imaginrios so geralmente criados por crianas de aproximadamente 3 a 4 anos de idade que no tm irmos da mesma faixa etria. Essas crianas tendem a ser extrovertidas e sociveis . Elas gostam de companhia, ento inventam mais companhia.

E embora quase todas as crianas gostem de brincar de faz de conta, as crianas com companheiros invisveis so especialmente apegadas fantasia. Um estudo de 2009 chegou a descobrir que essas crianas eram melhores contadoras de histrias, sugerindo que imaginar amigos pode ajudar no desenvolvimento lingustico e cognitivo.

Alm do amor pela fantasia e pela socializao, os especialistas no encontraram diferenas significativas em personalidade, inteligncia ou timidez entre crianas que tm e que no tm amigos imaginrios.

No entanto, os prprios personagens invisveis no poderiam ser mais diferentes. Podem ser animais, reais ou fictcios. Humanos de todas as idades, formas e tamanhos, com caractersticas sadas diretamente de um conto de fadas.

Alguns vm sozinhos; outros tm um grupo de amigos e familiares imaginrios. Eles podem at ser o que os pesquisadores chamam de objetos personificados, como bichos de pelcia ou brinquedos que ganham vida pela imaginao. E essas manifestaes variam de lugar para lugar.

Um estudo de 2004 descobriu que aproximadamente 67% das crianas com menos de 8 anos tinham companheiros invisveis, enquanto no Japo os objetos personificados eram muito mais comuns.

Essas figuras fictcias no apenas tm uma aparncia diferente, como tambm desempenham uma variedade de papis. Muitos so companheiros de brincadeira e confidentes, mas outros so bodes expiatrios, parceiros de tarefas ou bebs que precisam de cuidados.

Essa ampla gama o motivo pelo qual os pesquisadores geralmente os chamam de “companheiros” invisveis ou imaginrios, j que nem sempre so amigos.

Na verdade, pesquisadores relataram at mesmo crianas que brigam com seus companheiros imaginrios ou que tm medo deles. Essas situaes podem preocupar os pais.

Mas no s so totalmente normais, como tambm destacam o poder especial dos companheiros imaginrios: cada um desses personagens criado para satisfazer as necessidades ou desejos de seu criador.

Ao criar um companheiro invisvel assustador, uma criana pode estar experimentando o medo e como super-lo. Negociar desentendimentos imaginrios permite que as crianas pratiquem a resoluo de conflitos sem consequncias no mundo real, e resolver essas discusses pode ajud-las a explorar a empatia e o cuidado com o prximo.

Dessa forma e de outras, os companheiros invisveis do s crianas em desenvolvimento a autonomia para explorar emoes e interaes sociais em seus prprios termos.

E como as pesquisas mostram consistentemente que as crianas sabem que esses personagens so imaginrios, elas esto sempre no controle, mesmo quando no parece.

Alguns companheiros invisveis permanecem na vida de seus criadores durante a adolescncia e a vida adulta.

Mas, geralmente, medida que as crianas comeam a fazer amigos na escola por volta dos 6 anos, elas falam cada vez menos sobre seus companheiros imaginrios. Dito isso, o tempo que passaram com essas figuras fictcias traz benefcios para a vida toda.

Pesquisas sugerem que a brincadeira de faz de conta fortalece a teoria da mente da criana. Esta a nossa capacidade de compreender, imaginar e prever os estados mentais de outras pessoas, uma habilidade que pode ajudar as crianas a desenvolver empatia e construir relacionamentos.

E embora possamos parar de falar com nossos companheiros invisveis, nunca paramos de falar conosco mesmos.

Quando voc ensaia uma conversa difcil no chuveiro ou conversa sobre seus problemas com um animal de estimao, voc est usando as mesmas habilidades que aprendeu com seus companheiros imaginrios, conversando atravs do seu monlogo interior para resolver problemas e regular seu humor.

Meu pai morreu quando eu tinha 6 anos e toda a noite eu fugia para debaixo de sua cama para conversar com ele com uma grande esperana que ele sorrisse com seu jeito de trovo. Ele nunca sorriu.

Minha me, quando descobriu as minhas conversas, chegou a me levar no mdico. Sem sucesso me levou at a um terreiro de Sarav, para conversar l com o Sebastio Jorge.

Com a passagem do tempo, as conversas foram minguando, mas eu sempre recorria a elas quando tinha algum problema. Com o tempo percebi que o que chamamos de “falar com algum que partiu” , na verdade, o nosso prprio crebro usando a voz de quem amamos para nos dar os melhores conselhos.

No final, o Tio, para mim, hoje uma estratgia de gerenciamento de crise brilhante. Enquanto algumas pessoas pagam fortunas com psicoterapeutas para encontrar a sua “criana interior”, eu sempre mantenho um canal aberto com um cara legal que um dia chamei de pai.

como ter um conselheiro que conhece a sua histria desde o “quilmetro zero”, mas que no cobra por hora nem reclama se voc repetir a mesma histria dez vezes.

A parte mais legal de falar com ele como um amigo que pulei toda aquela fase de “pai, posso fumar maconha?” ou “pai, me empresta o carro?“. A nica vez que fiquei reticente foi contar que eu tinha engravidado a Adriane. quase como se tivesse pulado a parte chata da disciplina e ido direto para a parte da cumplicidade.

O luto na infncia cria lacunas, mas a imaginao uma arquiteta incrvel que constri pontes onde faltam tijolos. Manter essa conversa um sinal de que, embora ele tenha partido fisicamente, a “consultoria” dele continua vitalcia debaixo da cama na hora em que eu quiser e precisar.

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Fonte

Redação

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