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Nenhuma história de amor no cinema nos últimos 25 anos superou essa, na Netflix

Nenhuma história de amor no cinema nos últimos 25 anos superou essa, na Netflix

“Cold Mountain” acompanha pessoas tentando reorganizar a vida quando a guerra já acabou oficialmente, mas segue ativa no cotidiano. O filme, dirigido por Anthony Minghella, cruza dois caminhos marcados pela espera, pela escassez e por decisões difíceis, sempre com os pés no chão e sem romantizar o sofrimento.

De um lado está Inman Balis (Jude Law), um soldado gravemente ferido que abandona o front e decide atravessar o país para voltar à vila de Cold Mountain. A jornada não tem nada de heroica: o corpo falha, o tempo joga contra e cada encontro no caminho pode virar ameaça. Inman precisa negociar abrigo, esconder quem é e aceitar trabalhos improvisados para seguir adiante. A guerra, mesmo distante, continua determinando quem pode circular e quem é punido.

Do outro lado está Ada Monroe (Nicole Kidman), que fica para trás e precisa assumir a fazenda após a morte do pai. Sem experiência prática e cercada por uma vizinhança pouco solidária, ela rapidamente entende que boa vontade não garante comida nem proteção. A chegada de Ruby Thewes (Renée Zellweger) muda esse cenário de forma direta e concreta. Ruby não oferece consolo, oferece método: trabalho duro, rotina e uma visão realista do que significa sobreviver naquele lugar.

A relação entre Ada e Ruby é um dos grandes acertos do filme. Não nasce da afinidade imediata, mas da necessidade. Ruby impõe limites, ensina tarefas básicas e trata a sobrevivência como prioridade absoluta. Ada, aos poucos, deixa de ocupar apenas a posição de herdeira e passa a assumir escolhas que têm custo real. Essa parceria transforma a fazenda em um espaço menos vulnerável, ainda que nunca seguro.

O romance entre Inman e Ada existe, mas nunca domina a narrativa. Ele funciona mais como motor silencioso do que como promessa idealizada. O filme deixa claro que o desejo de reencontro não elimina o perigo nem acelera o tempo. Cada um segue lutando onde está, acumulando perdas e pequenas conquistas que não garantem final feliz automático.

Minghella adota um ritmo paciente, alternando estrada e casa sem pressa, mas também sem excessos. A direção evita grandes discursos e prefere mostrar as consequências práticas das escolhas. A violência aparece de forma seca, muitas vezes inesperada, reforçando a ideia de que aquele mundo não oferece segundas chances generosas.

“Cold Mountain” é um drama romântico, mas acima de tudo é um filme sobre sobrevivência e adaptação. Jude Law entrega um Inman exausto e obstinado, Nicole Kidman constrói uma Ada que aprende a endurecer sem perder humanidade, e Renée Zellweger rouba cenas ao dar a Ruby uma franqueza quase brutal. É um filme melancólico, bonito sem ser indulgente, que entende que voltar para casa pode ser tão difícil quanto sair para a guerra.

“Cold Mountain” acompanha pessoas tentando reorganizar a vida quando a guerra já acabou oficialmente, mas segue ativa no cotidiano. O filme, dirigido por Anthony Minghella, cruza dois caminhos marcados pela espera, pela escassez e por decisões difíceis, sempre com os pés no chão e sem romantizar o sofrimento.



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