Quando cheguei a São Miguel do Gostoso, entendi que nem toda viagem é sobre ir longe, algumas são sobre querer voltar.
Não só voltar para o destino, voltar para um ritmo mais lento, para o silêncio que não incomoda, para o vento constante que bagunça o cabelo e ao mesmo tempo organiza a cabeça. Gostoso não me recebeu com grandes monumentos ou promessas grandiosas, me recebeu com simplicidade, céu aberto, sol forte, noites estreladas, cinema à beira-mar, pé na areia, conexões com pessoas incríveis e a sensação imediata de que ali o tempo funciona diferente.

Trabalhar com turismo faz a gente colecionar memórias afetivas, e São Miguel do Gostoso virou uma delas, talvez porque ali eu não estivesse apenas cumprindo uma agenda, mas me permitindo também sentir. Caminhar sem pressa pela vila sem depender de carro ou transporte, observar o vai e vem dos kites colorindo o céu, conversar com pessoas que não estão com pressa de terminar a frase, tudo isso me fez desacelerar junto com a cidade.
O vento, ponto forte do destino, não é só cenário para esportes radicais, ele também refresca o corpo e a mente, e claro, bagunça muito o cabelo, mas ali isso não importava.

Entre uma praia e outra, chegando em Tourinhos, percebi que o luxo ali está no simples: água morna, pôr do sol, mesas na areia e histórias que começam sem hora para acabar. Em Gostoso não há esforço em impressionar e talvez por isso impressione tanto.

Em um ano entre viagens, feiras, pautas, aeroportos, malas feitas e desfeitas, São Miguel do Gostoso foi um respiro. Um daqueles lugares que não disputam atenção, mas deixam memórias. Voltei diferente. Mais calmo. Mais atento. Com a certeza de que algumas viagens não servem para mostrar onde estivemos, mas para lembrar quem somos.
O Matheus que cresceu e morou a vida toda em São Miguel Paulista aprendeu muito com o Matheus que visitou São Miguel do Gostoso.

