Estela Farina, diretora Geral da NCL no Brasil (Ana Azevedo/M&E)

SANTOS — A Norwegian Cruise Line (NCL) anunciou mudanças na política de comissões para agentes de viagem e confirmou o retorno de operações na América do Sul na temporada 2027/2028. A companhia decidiu eliminar a taxa conhecida como NCF (non-commissionable fee), permitindo que os agentes recebam comissão sobre o valor total das cabines vendidas. A medida foi detalhada pela diretora da empresa no Brasil, Estela Farina, em entrevista ao M&E, durante o Cruise360 Brasil, realizado neste sábado (14) em Santos.

Segundo a executiva, o modelo anterior dividia o preço da cabine em duas partes: uma comissionada e outra não comissionada. “Zeramos essa parte que não é comissionada, o que significa que o valor de cálculo da comissão do agente de viagem passa a ser maior. Ele passa efetivamente a receber comissão sobre o valor total da cabine”, afirmou.

A nova política já está em vigor com aplicação nas reservas atuais e vale para embarques a partir de maio deste ano. “Essa medida é um reconhecimento do trabalho que o agente faz na consultoria e na tomada de decisão do cliente pelo produto. Isso se traduz em uma remuneração mais alta”, disse.

NCL volta ao Brasil na temporada 2027/2028

Norwegian Star (Divulgação/NCL)

Outro anúncio destacado pela executiva foi a retomada da NCL na América do Sul, com destaque para o Brasil. Vale lembrar, que a empresa ficou duas temporadas sem navios dedicados à região. “O retorno ocorrerá na temporada 2027/2028 com o navio Norwegian Star e as vendas já começaram. Parceiros que trabalham com grupos já garantiram espaço e iniciaram a promoção desses roteiros”, afirmou Farina.

O navio fará travessias partindo da Europa, com escalas na costa brasileira antes de seguir para a Argentina. Depois, realizará itinerários pela Patagônia e pela Antártica antes de retornar ao continente europeu. “A gente percebeu que havia um espaço não atendido. Existe uma demanda importante e por isso voltamos com os roteiros”, esclareceu.

Apesar da confirmação da operação regional, a companhia ainda não tem um projeto para embarques regulares no Brasil. Farina afirma, no entanto, que o mercado brasileiro segue em expansão e continua sendo monitorado pela NCLH.

“Levo constantemente à empresa dados sobre o desempenho do mercado brasileiro, produção e o perfil do consumidor. O país segue apresentando crescimento no segmento de cruzeiros. Além disso, o Brasil tem uma costa muito especial. Hoje a operação da NCLH ainda é bastante concentrada no público doméstico, mas existe espaço para ampliar a presença de turistas estrangeiros interessados em conhecer o destino pelo mar.”

Impacto geopolítico na oferta de cruzeiros

No balanço de vendas, a executiva afirmou que a NCL percebeu, no início do ano, um comportamento mais cauteloso do consumidor diante do cenário geopolítico internacional, no entanto, ao poucos há sinais de recuperação na contratação do produto. 

“A gente acompanha semana a semana. No início da guerra dos Estados Unidos – Israel contra o Irã notamos uma tendência de adiar a decisão de compra, mas agora já vemos os clientes mais preparados para decidir. Seguimos operando e, por enquanto, não houve cancelamentos ou mudanças nos roteiros do segundo semestre com saídas de Dubai, que é uma região próxima e afetada pelo conflito. A segurança é prioridade e continuamos monitorando o cenário para avaliar eventuais ajustes”, explicou.

A guerra no Oriente Médio começou após ataques dos Estados Unidos e Israel contra alvos militares do Irã no fim de fevereiro de 2026. Em resposta, Teerã lançou mísseis e drones contra países da região do Golfo, ampliando o conflito para além do território iraniano. Entre os episódios mais recentes, um dos ataques atingiu a área de Palm Jumeirah, em Dubai, onde destroços de projéteis danificaram o hotel Fairmont The Palm.