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Navios francês e japonês fazem primeiras travessias pelo Estreito de Ormuz

Navios francês e japonês fazem primeiras travessias pelo Estreito de Ormuz

Um porta-contêineres francês e um navio-tanque de bandeira japonesa cruzaram o Estreito de Ormuz, naquilo que parecem ser as primeiras travessias desse tipo desde que a guerra no Irã praticamente fechou a rota marítima estratégica.

O porta-contêineres CMA CGM Kribi deixou o estreito na sexta-feira, segundo dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg e duas pessoas com conhecimento do assunto. É o primeiro navio ligado à Europa Ocidental que se sabe ter conseguido atravessar a região desde o início da guerra, há mais de um mês. A japonesa Mitsui OSK Lines confirmou, também na sexta-feira, que um navio de gás natural liquefeito (GNL) do qual é coproprietária fez a travessia — outro caso inédito.

O tráfego no Estreito de Ormuz praticamente parou desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, com apenas alguns poucos navios conseguindo passar. Em sua maioria, são embarcações associadas a países considerados amigos de Teerã, em um sistema que surgiu nas últimas semanas em que o Irã pré-aprova a passagem por uma rota que acompanha de perto sua costa.

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Os navios francês e japonês sugerem uma mudança desse padrão, embora ainda não esteja claro se isso é resultado de negociações diplomáticas entre governos ou de acertos pontuais feitos por empresas e intermediários. França e Japão pediram um cessar-fogo no início desta semana, e o presidente Emmanuel Macron tem sido um dos mais vocais sobre a necessidade de reabrir o estreito — mas afirma que isso só poderá acontecer depois que os bombardeios cessarem.

Como parte do sistema iraniano que vem sendo montado, alguns navios passaram a pagar taxas de trânsito a Teerã, conforme a Bloomberg já havia reportado. Um porta-voz da Mitsui OSK não quis comentar se o navio de GNL Sohar pagou alguma taxa. A francesa CMA CGM SA, dona do porta-contêineres, também se recusou a comentar.

O Ministério das Finanças da França não respondeu a pedidos de comentário. O Ministério das Relações Exteriores francês preferiu não se manifestar.

A CMA CGM é a terceira maior empresa de navegação de contêineres do mundo e é controlada majoritariamente pela família bilionária Saadé. O fundador emigrou do Líbano, então em guerra, para a França, e criou a companhia em 1978, em Marselha.

Até agora, a maior parte das embarcações que cruzaram o estreito era de países com relações amistosas com o Irã, com alguns, como o Paquistão, negociando acordos bilaterais para garantir passagem segura. A maioria tem seguido uma rota encostada à costa iraniana, embora, nos últimos dias, tenha surgido um outro trajeto — pelo litoral de Omã. O navio de GNL utilizou esse caminho, assim como dois superpetroleiros.

Enquanto isso, o Irã tenta consolidar um controle de longo prazo sobre o estreito, avançando na criação de um sistema de pedágios em uma via marítima crucial para o abastecimento global de petróleo e gás. A iniciativa alarma países árabes do Golfo, que dependem da rota para suas exportações, e tende a encarecer custos para consumidores. Teerã já indicou que poderia administrar esse novo sistema em parceria com Omã, mas Mascate ainda não deixou clara sua posição.

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Ilhas iranianas

Rastrear navios que entram e saem de Ormuz não é tarefa simples e tem sido dificultado pela intensa interferência de sinais na região, além de práticas de “spoofing” (falsificação de sinal).

Os dados mostram que o CMA CGM Kribi, que navega com bandeira de Malta, partiu de águas próximas a Dubai em direção ao Irã na tarde de quinta-feira (horário local), informando em seu sinal que o proprietário é francês. A embarcação manteve-se próxima à costa iraniana, passando por um canal entre as ilhas de Qeshm e Larak, transmitindo sua rota de forma aberta. Na sexta-feira, o navio já sinalizava posição ao largo de Mascate.

O CMA CGM Kribi tem capacidade para cerca de 5 mil TEUs (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés), e as medições de calado indicam que ele está baixo na água, sinal de que transporta grande volume de carga. A companhia afirmou que 14 de seus navios ficaram retidos no Golfo Pérsico, sem conseguir cruzar o estreito.

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O navio-tanque de GNL Sohar, que aparentemente não está carregado, encontra-se atualmente em águas próximas a Mascate, depois de alterar seu destino para o terminal exportador de GNL de Qalhat, em Omã, segundo os dados. A embarcação, que sinaliza ser um navio omani, passou o último mês circulando pelo Golfo Pérsico, mostram os registros.

A empresa gestora do navio — registrada como Oman Ship Management Co. no banco de dados Equasis — não respondeu imediatamente a ligações ou e-mails pedindo comentários. A dona do navio, Energy Spring LNG Carrier SA, compartilha os mesmos contatos da gestora. A Energy Spring é uma joint venture na qual a Mitsui OSK detém 50%, de acordo com documentos da companhia japonesa.

© 2026 Bloomberg L.P.

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