SÃO PAULO – O primeiro dia do Lacte 21 foi encerrado com um bate-papo aspiracional entre a apresentadora Sarah Oliveira e o rapper Emicida, que conduziram a conversa intitulada ‘Eu descobri o segredo que me faz humano’. Em tom reflexivo – e extremamente inspirador, o painel discutiu o espaço da autenticidade em ambientes profissionais marcados por metas, tecnologia e mudanças constantes, propondo uma visão em que desempenho e inovação caminham junto à compreensão das pessoas.
Durante a conversa, Emicida destacou que a capacidade de ser integral no trabalho é hoje um diferencial competitivo. Para o artista, a ideia de separar o chamado “lado B” da vida pessoal do ambiente profissional já não responde às demandas contemporâneas, e a fluidez surge quando indivíduos podem ocupar espaços de forma autêntica. Ele afirmou que, após décadas de adequação a padrões rígidos, o momento atual exige uma releitura das renúncias feitas ao longo do tempo e a reconstrução de identidades que valorizem a complexidade humana.
A discussão também abordou a vulnerabilidade como atributo de liderança. Emicida argumentou que o conceito costuma ser associado à fraqueza, mas representa, na prática, abertura para escuta, aprendizado e conexão com o presente.
O rapper citou experiências pessoais e referências da música brasileira para ilustrar a força da sensibilidade e da persistência artística, reforçando que maturidade emocional e disposição ao diálogo ampliam a capacidade de transformação em pessoas, equipes e organizações.
Outro ponto central foi a importância de criar experiências marcantes, conceito que o artista relacionou à própria definição de evento. Segundo ele, momentos que rompem a rotina e produzem conexão genuína são capazes de transformar atmosferas e gerar memória coletiva, premissa que dialoga diretamente com o setor de eventos corporativos presente no encontro.
Emicida dá aula sobre humanidade – mas também, sobre relações de trabalho
Emicida também compartilhou reflexões sobre paciência e propósito na construção de projetos. Em um cenário de imediatismo, o rapper defendeu que saber o tempo certo de cada etapa é sinal de sabedoria e condição para entregas com qualidade. Para ele, trajetórias consistentes se sustentam menos pelas oscilações de mercado e mais pela preservação de valores e convicções que orientam decisões ao longo do tempo.
Ao longo do painel, Sarah Oliveira conduziu a conversa explorando a relação entre arte, educação e impacto social, lembrando o alcance do documentário ‘AmarElo’ em escolas e instituições. A troca evidenciou o papel da cultura como ferramenta de conexão e aprendizado, além de reforçar a responsabilidade de diferentes gerações em transformar potencial coletivo em realidade presente.
Encerrando a programação do dia, o encontro propôs uma síntese entre negócios e humanidade, sugerindo que resultados relevantes emergem quando ambientes profissionais reconhecem a singularidade das pessoas.
A mensagem final do painel indicou que, em um mundo orientado por dados e automação, a verdadeira vantagem competitiva pode residir justamente naquilo que nos torna humanos.