Aquele combo de sol, calor, mar calmo e cristalino não deixa dúvida de que a boa de muita gente neste fim de semana vai ser a praia. A favor, conta ainda a previsão do Alerta Rio, de que os termômetros devem alcançar máximas de 38°C, neste sábado, e de 39°C, no domingo — o sistema da prefeitura também avisa que a chuva não deve dar as caras neste fim de semana. Um fenômeno marítimo, que deixou a água bem verdinha, com aquele cenário caribenho que dispensa passaporte, é a cereja do bolo.
Agora, um porém: ou melhor, dois. Primeiro, vale avisar que estão impróprias para o banho as praias de Barra de Guaratiba, do Arpoador, de Botafogo e da Glória, de acordo com o boletim do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Segundo, deu a louca nos preços. A lista de exorbitâncias à beira-mar vai de um pastel a R$ 150 em Búzios, na Região dos Lagos, a um sofá sobre a areia com diária de R$ 850, cobrada no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio.
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Na última quinta-feira de mormaço e sol entre nuvens, O GLOBO percorreu as principais praias da cidade em busca de uma média dos preços praticados por comerciantes de barracas nas areias de Ipanema, Copacabana, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. Já estava quente, com máxima de 34°C, mas a água de coco também andou subindo: custava R$ 10, no Recreio, e em Ipanema já era vendida a R$ 12. Mas quanto custa realmente garantir um lugar ao sol — ou à sombra — nas areias da orla carioca?
Em condições normais, o preço médio do aluguel de uma cadeira nas zonas Sul e Sudoeste varia entre R$ 15 e R$ 20. Alguns barraqueiros fazem promoção: “R$ 10 para você”. Mas se “você”, no caso, insistir no não — essa é a lógica da pechincha no Rio —, o serviço pode chegar a R$ 7, ou virar um pacote mais barato com guarda-sol. Mas essa nem sempre é a regra.
A concorrência é grande. Ao longo da orla, vários vendedores disputam a atenção dos frequentadores. Por R$ 100, o banhista pode deitar o dia todo numa espreguiçadeira na Barraca da Baiana, entre os postos 8 e 9, em Ipanema, com direito a sombreiro de rosto acoplado na estrutura. Com desconto, o mimo sai a R$ 70. Guarda-sol comum por lá custa R$ 25 ou R$ 50, o maior. São valores para o uso das peças: não são convertidos em consumação, como acontece em outros pontos.
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Ao banhista raiz sempre há a alternativa de estender sua própria canga, levar cadeira e guarda-sol. Mas a aposentada Sandra Ribeiro caprichou: ela veio de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a família. Já sabendo da inflação praiana, a família trouxe sete cadeiras e um guarda-sol no avião, para economizar no passeio.
“Pagamos cerca de R$ 200 para despachar as cadeiras. Vale a pena. Vamos ficar 15 dias aqui, indo à praia todos os dias. Seria muito dinheiro. Com a economia a gente gasta com comida. Ainda compramos outro guarda-sol aqui na praia, por R$120, pechinchando. Era R$ 270”, conta Sandra.
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Outra família de turistas, essa de Barretos, em São Paulo, também fez questão de viajar bem equipada:
“Vimos uma reportagem do Fantástico e trouxemos as cadeiras todas. A gente viu que está muito caro. Como vamos ficar mais de dez dias, não compensa gastar muito dinheiro com cadeira e guarda-sol em praia. Também trazemos cerveja e água”, conta a empresária Carol Nobre.
Segundo a Prefeitura do Rio, a norma para os barraqueiros é fixar em suas barracas uma tabela de preços com todos os valores praticados para cada um dos produtos comercializados. O valor de bebidas, cadeiras e guarda-sóis não é determinado pelo Poder Municipal. Mas quem se sentir lesado pode acionar a Central de Atendimento 1746, o site proconcarioca.prefeitura.rio ou mesmo buscar um agente que esteja fiscalizando a praia naquele momento.
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Para quem é do Rio, é praticamente inevitável carregar o próprio “kit praia”. A assistente técnica Maria Helena Rocha, moradora de Copacabana, sempre leva cadeira e guarda-sol.
“Sai muito caro. Vejo guarda-sol por R$ 50 e R$ 100. Acho que é olho grande mesmo, é tirar muito proveito dos turistas. Isso é muito triste”, relata ela, que esteve há poucos dias em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos: “Pagamos R$ 270 por cadeiras e guarda-sol.”
Na mesma área turística, mas na cidade de Búzios, o absurdo dos preços viralizou nas redes sociais: uma porção de pastel (seis unidades) em um quiosque de Geribá era vendida por R$ 150, enquanto uma refeição com pescados chegava a R$ 470.
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Em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, o valor máximo estipulado pela prefeitura é de R$ 21,73 para o aluguel de cadeiras, mesas e guarda-sóis. O GLOBO mostrou, ao longo da semana, o descumprimento dessa regra na Praia de Camboinhas, na Região Oceânica da cidade.
“Cheguei a Camboinhas com meu amigo e perguntamos se havia alguma barraca disponível. O rapaz disse que sim. Depois que nós nos sentamos, veio um homem com um QR code perguntando se já havíamos pagado o aluguel. Quando dissemos que não, ele afirmou que teríamos que pagar R$ 40 para nos sentarmos ali”, contou.
O limite definido pela prefeitura se refere ao kit completo — e não a itens avulsos —, mas, na prática, preços mais altos continuam sendo cobrados por comerciantes que atuam na orla.
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