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Na Netflix: o filme que todo mundo deveria ver na noite de Natal — e que vai te marcar

Poesia é tudo que o homem pode encontrar de mais belo na vida — e a única coisa que pode salvar muitos deles. Graças a seu método de ensino, revolucionário para alguns, meramente exibicionista para outros, mas sem dúvida intrépido (e, sobretudo, humano), um novo professor de inglês e literatura transforma a rotina dos estudantes de um colégio tradicional. Para esse mestre do bom viver, versos encorajam a busca por uma vida extraordinária, e assim “Sociedade dos Poetas Mortos” ganhou o coração do público. O filme de Peter Weir foi uma sensação quando de seu lançamento, quase quatro décadas atrás, mérito da abordagem nada pomposa sobre a poesia no cotidiano e em como a arte poética é muito mais íntima do que se pensa — ao menos para aqueles que ousam abrir-se para ela — ao falar das pequenas e grandes desgraças dos maiores expoentes da arte de escrever em versos. O roteiro de Tom Schulman apura muitas camadas de melancolia, tratando de sempre deixar uma margem para o calor e para a luz, não obstante o título tão pouco solar.

Em 1959, John Keating regressa à Academia Welton, uma prestigiosa escola de Vermont, com a bagagem cheia de memórias e ambições em doses iguais. Ex-aluno da instituição, Keating agora parece dedicado a fazer por seus novos pupilos o que seus antigos tutores não fizeram por ele, e isso inclui citar passagens de “Walden” (1854), de Henry David Thoreau (1817-1862), ou discorrer sobre Robert Herrick (1591-1674), Walt Whitman (1819-1892), Alfred Tennyson (1809-1892) ou Vachel Lindsay (1879-1931) do alto de sua mesa. Robin Williams empresta ao protagonista um histrionismo doce, que cede lugar à economia dos gestos quando preciso, e essa tônica perpassa os 128 minutos,buscando de alguma maneira ecoar “Uma Paz Separada” (1959), o romance de John Knowles (1926-2001). Sem tempo a perder com as ninharias dos tempos passados e que não voltam, o carpe diem de Horácio (65 a.C. — 8 a.C.) é a lei, o que, claro, não agrada a todos.

Forçasse levantam contra Keating. Ele é apontado como o responsável pelo suicídio de Neil Perry, o estudante interpretado por Robert Sean Leonard, e esse é o argumento de que Weir se vale a fim de contar a ruína do professor. Keatingvira o bode expiatório perfeito para justificar o reacionarismo e a tacanheza de pensamento dos coordenadores, e tudo piora quando outro aluno vira um agente duplo, descrevendo em minúcias o que acontece durante nas aulas. O momento em que esse garoto é surrado por um colega é, malgrado a violência, simplesmente catártico, facilidade que o diretor contorna sublinhando a ideia de que a juventude não é sinônimo de irreverência ou dignidade, bem como um homem maduro não é obrigado a ser circunspecto ou insensível. A adoração dos rapazes a Keating é uma crítica bastante válida a “Sociedade dos Poetas Mortos” — como esquecer o “Oh Captain! My Captain!”? —, mas a lição de que a palavra liberta e confere propósito a almas sem um norte, vazias, a supera. E se elas vêm com cadência e lirismo, tanto melhor.

Filme:
Sociedade dos Poetas Mortos

Diretor:

Peter Weir

Ano:
1989

Gênero:
Drama

Avaliação:

10/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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