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Na Netflix, o filme com Scarlett Johansson e Ewan McGregor que deixa qualquer um tenso em minutos

Michael Bay dirige “A Ilha” com Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Djimon Hounsou, Sean Bean e Steve Buscemi à frente de uma história que começa em clausura e termina em disparada. Lincoln Six-Echo vive numa instalação branca e esterilizada, onde todos obedecem a regras rígidas, vestem as mesmas roupas e esperam o sorteio que promete levar alguém para “A Ilha”, o suposto último lugar puro de um planeta contaminado. Tudo ali parece controlado demais.

Lincoln aceita esse arranjo até começar a esbarrar em sonhos estranhos, perguntas sem resposta e pequenos sinais de que a rotina ao redor não fecha. A relação com Jordan Two-Delta muda de escala quando os dois percebem que a loteria, os corredores assépticos e as vozes de comando servem menos para proteger do mundo exterior do que para mantê-los dóceis dentro de um sistema fechado. A suspeita cresce aos poucos.

Bay acerta sobretudo na primeira metade porque filma a colônia como vitrine de higiene, disciplina e conforto, com filas milimétricas, vidro, luz branca e um ritual diário que parece dissolver qualquer traço de vontade própria. O golpe vem quando Lincoln descobre que aqueles moradores são clones produzidos para fornecer órgãos, material genético e até gestação substitutiva a seus originais, e a cena da cirurgia observada no setor médico transforma esse segredo em matéria visível, fria, cortante. Ali o filme se impõe.

Da redoma ao asfalto

Depois da fuga com Jordan, “A Ilha” abandona o laboratório e desembarca no asfalto, nos viadutos, nos trens, nos helicópteros e no trânsito de Los Angeles. Albert Laurent assume a perseguição, homens armados ligados ao instituto entram em cena, e a história troca o confinamento por uma sucessão de corridas, colisões, tiros e fumaça que empurra o longa para a zona mais conhecida de Bay. O barulho cresce sem parar.

Essa virada produz o principal atrito do filme. De um lado, há uma ideia forte quando Lincoln entende que sua vida foi montada como peça de reposição para outra pessoa e, ao se aproximar do homem original ao qual está ligado, passa a correr também atrás de alguma noção de identidade num mundo que nunca tinha tocado; de outro, o lado de fora aparece coberto por vitrines, logotipos e product placement tão ostensivos que a rua às vezes parece apenas a continuação cara do mesmo sistema que o fabricou. O mundo real já nasce contaminado.

McGregor segura bem esse desajuste entre ingenuidade e espanto, como alguém que saiu há pouco de uma redoma e precisa aprender depressa a desconfiar de tudo, inclusive do próprio corpo. Scarlett Johansson acompanha esse movimento sem excesso, e a parceria entre os dois se firma no susto, na pressa e na necessidade prática de confiar um no outro enquanto o roteiro oscila entre o pesadelo clínico do começo e o espetáculo muscular da perseguição. No fim, o que fica de “A Ilha” não é uma ideia abstrata, mas uma imagem concreta, a maca sob luz branca, a porta automática se abrindo e o brilho do metal no centro cirúrgico.

Filme:
A Ilha

Diretor:

Michael Bay

Ano:
2005

Gênero:
Ação/Ficção Científica/Thriller

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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