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Na HBO Max, Samuel L. Jackson enfrenta Tommy Lee Jones num duelo de fé vs. ateísmo — baseado na peça de Cormac McCarthy

A fé oferece um horizonte de sentido que transcende o imediato, funcionando como abrigo contra o caos e a finitude. Com fé, torna-se mais fácil a travessia pelo vale de lágrimas que é o mundo, ainda que surjam novos desafios e novos sofrimentos, martírio que exige uma renovação da crença inicial. Esse ciclo de proximidade e distanciamento da transcendência é uma quimera e mesmo um delírio para quem duvida que haja alguma coisa além daqui, o ponto nevrálgico de “The Sunset Limited”. Cormac McCarthy (1933-2023) adapta sua peça homônima, levada ao palco do Steppenwolf Theatre em Chicago em 18 de maio de 2006, destacando o confronto entre duas ideologias da pós-modernidade: o ateísmo e a confiança plena em Deus. Tommy Lee Jones refina as impressões de McCarthy de modo a opor dois personagens em momentos distintos, mas com uma ou outra semelhança.

Preto no branco

O niilismo de White, um professor universitário com dinheiro e branco vira desespero e acaba nos trilhos da estação do metrô que empresta o nome ao filme — sim, é preciso uma boa dose de licença poética, já que os pontos do metrô de Nova York só ostentam letras e números. Quem o resgata é Black, zelador de algum edifício das redondezas, e por uma questão burocrática, White passa a frequentar sessões de conversa no apartamento desse morador do Harlem, pobre e marginalizado por já ter sido preso por homicídio. McCarthy constrói um cenário de escombros físicos e morais, onde ambos os personagens buscam validação, conforme se depreende dos diálogos. Paulatinamente, as verdades de cada um vão surgindo, incomodando, doendo, e apesar de um certo reducionismo das ideias, a começar pelo nome dos personagens, Jones é capaz de sensibilizar o público quanto à relevância do debate ao também encarnar mesmo o intelectual convicto de sua perdição e, assim, livre de qualquer encargo para com seu salvador. Essa é a pedra angular em “The Sunset Limited”, e é um deleite a condução firme e delicada de Samuel L. Jackson para Black. Desde o princípio, fica claro que Black é a figura que realmente interessa aqui, mas ao aliar técnica e emoção, Jackson supera as eventuais lacunas narrativas de uma história para apenas dois atores, conseguindo até amenizar a dureza e um ligeiro alheamento da argumentação de McCarthy. É uma verdadeira proeza.

Filme:
The Sunset Limited

Diretor:

Tommy Lee Jones

Ano:
2011

Gênero:
Drama

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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