Os sonhos são as únicas coisas capazes de tornar a vida mais suportável e menos infame. Que grande revolução haveria de se dar nos povos do mundo inteiro se cada um tivesse sonhos grandiosos o bastante para serem perseguidos sem folga, até que, por fim, saíssem do baço plano das ideias e passassem à vida como ela é, o que, evidentemente, só seria possível se fôssemos todos dignos desses sonhos. Quase sempre é necessário que larguemos tudo, abandonemos a vida que levávamos, sintamo-nos livres para rever determinados pontos de nossa trajetória para que consigamos acessar os meandros mais obscuros de nosso espírito. Sem dúvida, “A Fita Branca” (2009), de Michael Haneke, continua a ser o grande filme sobre as chagas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), mas decerto o estoniano Ergo Kuld faz um bom trabalho com “Em Nome da Honra”, um romance despretensioso e até tautológico. Com uma narrativa simples, o diretor não tergiversa e procura ser o mais objetivo que consegue ao contar, em 85 minutos, a saga de um homem apaixonado que acaba forçado a enfrentar uma prova de fogo para ter a mulher amada. Mas nem tudo é o que parece.
Toomas é um jovem pintor que regressa de Paris à Livônia, um vilarejo na costa oriental do Mar Báltico onde hoje ficam a Estônia e a Letônia, para visitar o irmão, Johannes, um mujique que administra a fazenda da família, herdada do pai deles, oculta em meio ao pântano. A Grande Guerra eclodira há algumas semanas, os moradores de Livônia estão ouriçados diante da ameaça da invasão alemã, mas conflitos domésticos à primeira vista tolos é que ganham força. A pose do artista, sempre envergando ternos bem-cortados e com o cabelo milimetricamente fixo em cera, contrasta com o bucolismo do lugar e a rudeza de sua pobre gente. O roteirista Martin Algus segue o protagonista em passeios pelos bosques e pelas imediações de um enorme lago, onde põe-se a esboçar o retrato de uma moça, banhando-se nua, alheia a batalhas entre nações e olhares indiscretos. Hilda, a Gata Selvagem, desperta sua libido, embora ela não seja a única a fazê-lo.
Kuld menciona a guerra de quando em quando, preferindo concentrar-se nos tipos excêntricos que enchem a narrativa, a começar por Toomas e sua energia caótica. A aproximação entre ele e Hilda consome boa parte do primeiro ato, e o espectador torce pelos dois, pelo menos até notar suas péssimas intenções. Franz Malmsten reforça o mistério do anti-herói com gestos comedidos e um rosto angelical, que revela-se enganoso, suspeita que se confirma numa cena na virada para a conclusão. Seus flertes com a lasciva baronesa Martinson de Grete Kuld e a maneira como decide ver-se livre dela redimem um pouco sua leviandade, mas o que acontece entre ele e Johannes deixa claro sua índole perversa. Helgur Rosental encara o homem rústico e incorruptível, em contraponto ao ogro Madjak, o vilão arquetípico interpretado por Martin Kork. Com sofisticação e replicando a estética do filme de Haneke — a despeito das cores vivazes da fotografia a cargo do próprio diretor —, “Em Nome da Honra” é um lembrete de que a máxima que diz que no amor e na guerra vale tudo sempre foi e sempre será verdadeira.
Filme:
Em Nome da Honra
Diretor:
Ergo Kuld
Ano:
2022
Gênero:
Romance/Thriller
Avaliação:
8/10
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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