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Mortes infantis podem subir pela 1ª vez no século após cortes de ajuda, diz Fundação

LONDRES, 4 Dez (Reuters) – Cerca de 200.000 crianças a mais provavelmente morrerão antes de completar cinco anos neste ano do que em 2024 — o primeiro aumento de mortes infantis evitáveis neste século — na esteira dos cortes na ajuda internacional, informou a Fundação Gates nesta quinta-feira.

Em 2024, estima-se que 4,6 milhões de crianças morreram antes de completar cinco anos. Neste ano, esse número deverá ser de 4,8 milhões, disse a Fundação Gates. As mortes de crianças caíram quase pela metade desde 2000.

‘Durante décadas, o mundo fez progressos constantes para salvar a vida das crianças. Mas agora, à medida que os desafios aumentam, esse progresso está se revertendo’, disse Bill Gates, presidente da fundação homônima, em um prefácio ao seu relatório anual Goalkeepers.

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O relatório acompanha o progresso em direção às metas de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas para reduzir a pobreza e melhorar a saúde. Geralmente é publicado em setembro, mas foi adiado este ano devido à incerteza sobre o financiamento da saúde global.

Os cortes na ajuda internacional começaram com os Estados Unidos no início do ano, mas desde então se espalharam para outros grandes doadores, como o Reino Unido e a Alemanha. No geral, a assistência ao desenvolvimento global para a saúde caiu pouco menos de 27% este ano em comparação com 2024, segundo o relatório.

Os cortes são uma das principais razões para a reversão do progresso no combate à mortalidade infantil, disse Gates, embora outras questões, como países que enfrentam dívidas crescentes e sistemas de saúde frágeis, também sejam fatores. No início deste ano, Gates alertou que os cortes levariam à morte de mais crianças.

Se os cortes forem permanentes, isso poderá significar entre 12 e 16 milhões de mortes de crianças a mais até 2045, acrescenta o relatório, dependendo dos níveis de financiamento. Este ano, o aumento no número de mortes pode se igualar ao número de 2023, o último ano para o qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem dados.

Os números do relatório baseiam-se em modelos do Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington.

Gates pediu que os governos e as pessoas se mobilizem e se concentrem em novas ferramentas inovadoras, bem como em soluções comprovadas, como a vacinação e o investimento em cuidados primários de saúde, para melhorar a saúde infantil.

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(Reportagem de Jennifer Rigby)



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