Por definição, o amor rompe barreiras e desafia normas, revelando a urgência do homem por conexões. Valores tradicionais, por seu turno, movem-se na contramão do amor, oferecendo estabilidade e uma cômoda sensação de pertencimento, capaz de transformar a singularidade de alguém. Sociedades levantam-se do delicado antagonismo entre a necessidade do sentimento e a conservação do que é entendido como primordial à convivência harmoniosa dos indivíduos, e o choque entre um e outro campo presta-se a separar os corajosos e aqueles que irão manter a cabeça baixa. Andy Goodrich, o personagem central de “Pai do Ano”, ainda não decidiu de que lado está, mas um golpe do destino o obriga a uma mudança, extrema e oportuna. Hallie Meyers-Shyer aproxima-se das grandes produções do gênero ao fixar-se nas reações inusitadas do protagonista, um homem de outra época, com outra visão de mundo quanto a temas como virilidade, casamento, vida doméstica, mas que se adapta rápido a um cenário totalmente novo — até porque ele não tem alternativa.
Andy é dono de uma badalada galeria de arte de Los Angeles, e às vezes se lembra de que é também marido e pai. Uma governanta israelense cuida da casa e de seus filhos gêmeos, enquanto a esposa, Naomie, faz uma ou outra atividade para ocupar o tempo. Sua vidinha poderia continuar exatamente assim para sempre, mas certa feita, no meio da noite, Naomie liga, apenas para dizer que está internada numa clínica de reabilitação para tratar o vício em remédios controlados. Ele não havia percebido que a cônjuge não estava na cama e muito menos que Naomie sofria com a dependência em substâncias, um toque delirante ao enredo, mas e daí? Metodicamente, a diretora-roteirista justifica essa, digamos, desatenção de Andy voltando-se para seu entorno, onde gravitam Mose e Billie, seus filhos com Naomie, e Grace, a filha que tivera com Anne quatro décadas atrás. Grace está na reta final da gravidez, tem mil coisas a fazer, e não pode contar com o pai, como nunca pôde. Pelo contrário: é ele quem vai atrás dela em busca de algum auxílio.
Sem a menor dúvida, o que faz dessa uma história cativante é a maneira como Meyers-Shyer elabora os conflitos entre Andy, Mose, Billie e Grace, que embaralham-se, mas apontam para uma solução nem tão difícil. Com a aptidão que caracteriza seu trabalho, Michael Keaton dosa o cinismo e a vontade sincera de recomeçar de Andy, e o filme vai se expandindo para muito além do clichê à medida que Mila Kunis cresce e pode se aprofundar nas muitas emoções de Grace. Essa parceria surpreende a tal ponto que fica até absurdo imaginar que pai e filha não se reconciliassem — ou até que a relação deles não tivesse sido sempre um mar de rosas.
Por Ana Azevedo e Giulia JardimA poucos dias do prazo de desincompatibilização para as eleições…
Apenas os estados do Rio de Janeiro e de Rondônia indicaram que não vão aderir…
Comédia 'Simples Assim', com Alexandra Richter, Georgiana Góes e Pedroca Monteiro Como seria poder rir,…
À medida que inventou demandas e criou novas necessidades, o homem precisou também elaborar novos…
O Brasil ocupa a terceira posição global em expectativa de contratação para o segundo trimestre…
O vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que quem defende a ditadura não deveria…