Bem, já vi Michael Angarano em alguns filmes, como “Quase Famosos“, “Os Reis de Dogtown“ e “Em Um Relacionamento Sério“, mas jamais imaginei que já tivesse dirigido alguma produção. Descobri, assistindo a “Sacramento“, que este era seu segundo longa-metragem, precedido por “Pelas Ruas de Manhattan“, de 2017. Lançado em 2024, “Sacramento“ é um road movie que basicamente se estrutura como uma jornada pessoal de amadurecimento do ator e diretor, agora casado com sua companheira de tela, Maya Erskine. Apesar de recente, o filme passou por vários processos até chegar à versão finalizada, já que Angarano levou tempo para descobrir seu tom, seu eixo narrativo e conseguir orçamento.
É um guy movie, porque é muito mais relacionável com dilemas masculinos do que femininos e, por isso, às vezes soa um pouco como uma bobagem para mulheres. O enredo gira em torno do típico amadurecimento tardio de caras que estão entre os 30 e 40 anos e ainda se comportam como adolescentes, fogem de relacionamentos sérios e de responsabilidades, até que a vida dá um sacolejo e mostra que é hora de assumir postura de adulto e deixar as brincadeiras de lado. Das mulheres, esse amadurecimento é cobrado muito cedo. Aliás, desde pequenas elas já são ensinadas a se vestir, se comportar e a trabalhar como adultas. As responsabilidades chegam rápido, atravessando a infância e roubando parte da diversão da vida.
Mas Angarano não passa a mão na cabeça dos homens. Aqui ele interpreta Rickey, um cara irresponsável e inconsequente, que vive errante e desaparece por um ano, reaparecendo meses após a morte do pai na casa do melhor amigo, Glenn (Michael Cera). Ele só retorna porque é dispensado da reabilitação e precisa de um lugar para ficar. Glenn está prestes a se tornar pai. Casado com Rosie (Kristen Stewart), ele se vê sobrecarregado pelas transformações da vida e pelo fato de que agora será responsável por outra pessoa. Ele quer se posicionar com seriedade diante da promoção fornecida pelo próprio destino, mas sua cabeça parece entrar em colapso.
Rickey mente ao amigo dizendo que o pai morreu há pouco tempo, quando, na verdade, já faz um ano. Ele pede que Glenn viaje com ele até Sacramento, cidade do pai, para relembrar sua vida e se desfazer de suas cinzas. No entanto, Rickey também tem sua própria jornada de paternidade para encarar. Enquanto Rickey é relaxado e não leva nada muito a sério, Glenn é ansioso e tenso com absolutamente tudo. O longa-metragem não oferece uma história de redenção ou grandes aprendizados. Trata-se de uma comédia discreta, com piadas internas e improvisadas, que trabalha com simplicidade e, por isso, talvez não impressione tanto.
Com um orçamento modesto, estimado em no máximo 6 milhões de dólares, o filme foi rodado em Sacramento e no Norte da Califórnia. A fotografia simples, que privilegia panoramas, transmite uma sensação de realismo e conforto, algo feito com honestidade e sem grandes pretensões. “Sacramento“ é um filme feito entre amigos, com vontade de tratar de assuntos pessoais e dialogar com um público limitado. É leve, descontraído e bobinho. Altamente esquecível e nada impressionante. Parece quase uma brincadeira de fazer cinema.
Filme:
Sacramento
Diretor:
Michael Angarano
Ano:
2024
Gênero:
Comédia/Drama
Avaliação:
8/10
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Fer Kalaoun
★★★★★★★★★★
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