Com a aproximação da próxima Copa do Mundo, o mercado brasileiro de turismo e eventos entra em um período de atenção máxima. Operadoras oficiais e agentes especializados acendem o sinal de alerta diante do crescimento da oferta de pacotes não homologados, comercializados fora do circuito autorizado da Fifa, que podem comprometer desde a entrega de ingressos até a experiência completa do consumidor.
A mudança no modelo de venda do evento, cada vez mais estruturado e regulado, reforça a importância de adquirir produtos oficiais, alinhados às regras internacionais de acesso, hospitalidade e operação. Para especialistas do setor, tratar a Copa do Mundo como uma simples compra de ingresso é um erro que pode gerar frustração e prejuízos.
“O maior erro hoje é tratar a Copa do Mundo como se fosse apenas a compra de um ingresso. Não é. Estamos falando de uma experiência complexa, regulada pela Fifa, com regras claras de acesso, hospitalidade e operação”, afirma Aldo Leone Filho, CEO da Agaxtur, executivo com histórico de atuação em diversas edições do torneio.
Da viagem esportiva ao produto premium
Nos últimos ciclos, a Copa do Mundo deixou de ser vista apenas como uma viagem esportiva tradicional e passou a se consolidar como um produto premium. O evento ampliou seu público, atraindo não só torcedores fanáticos, mas também famílias, casais e grupos corporativos que buscam experiências completas, seguras e bem estruturadas.
“O público da Copa mudou. Hoje vemos pais levando filhos como experiência de vida, casais viajando juntos e empresas usando o evento como ferramenta de relacionamento. Quem busca esse produto não quer improviso, quer segurança e padrão internacional”, reforça Aldo.
Essa transformação acompanha uma tendência global de premiumização dos grandes eventos esportivos, nos quais conforto, logística integrada, serviços exclusivos e experiências antes e depois dos jogos ganham peso equivalente – ou até superior – ao espetáculo dentro do estádio.
Por que não se fala mais em “ingresso”
Outro ponto que tem gerado dúvidas no mercado é o fim da comercialização de ingressos de forma isolada no ambiente intermediado. No modelo atual adotado pela Fifa, o acesso aos estádios ocorre por meio de produtos oficiais de hospitalidade, que incluem não apenas o ingresso, mas também serviços, áreas exclusivas e um rigoroso controle de acesso.
“Quando alguém oferece ingresso solto fora do sistema oficial, o risco é enorme. A Fifa não reconhece essas vendas. É por isso que insistimos tanto em educar o mercado e o consumidor”, explica o executivo.
Segundo os operadores, ofertas que prometem facilidades fora do circuito autorizado devem ser encaradas com cautela, já que não contam com respaldo oficial nem garantias de entrega.
Golden Goal e o pool autorizado no Brasil
No Brasil, a comercialização oficial dos produtos de hospitalidade da Copa do Mundo Fifa 2026 é realizada pela Golden Goal, agente exclusivo e oficial da On Location no país. A empresa atua em parceria com um pool restrito de operadoras de turismo homologadas: Agaxtur, Ambiental, Globalis e Queensberry.
Juntas, as companhias estruturaram o Pra Cima Brasil, iniciativa que integra hospitalidade oficial e serviços de viagem em uma oferta completa, alinhada aos padrões internacionais exigidos pela Fifa.
O modelo garante que toda a cadeia, desde a venda até a entrega do produto, siga protocolos rigorosos de qualidade, segurança e oficialidade, assegurando uma experiência confiável para o consumidor final.
Informação como ativo de proteção ao consumidor
Para os operadores oficiais, o principal desafio neste momento é ampliar o acesso à informação correta. A recomendação é que agentes de viagem e consumidores sempre verifiquem se o produto ofertado faz parte do circuito autorizado e se conta com respaldo da Fifa e de seus parceiros oficiais.
“A Copa acontece a cada quatro anos, mas os problemas surgem sempre que alguém tenta encurtar o caminho. Nosso papel é garantir que o cliente viva o evento com tranquilidade e isso só acontece dentro do modelo oficial”, conclui Aldo.