A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva optou por permanecer na Rede Sustentabilidade para “continuar trabalhando pela restauração dos princípios e valores” do partido. O anúncio da decisão da ambientalista ocorre após a recusa de convites do PT e PSB diante de atritos na sigla que ela ajudou a fundar provocar a debandada de aliados.
“A permanência na Rede é uma decisão política que reafirma o compromisso pela reeleição do residente Lula e pela vitória importante para São Paulo de Fernando Haddad, e projeta uma atuação cada vez mais ativa no fortalecimento do imprescindível bioma democrático brasileiro”, diz Marina em nota.
Segundo a ex-ministra, a escolha é coerente com a visão que vem defendendo publicamente: de que no “bioma da democracia brasileira, para aumentar sua capacidade de proteger-se dos constantes ataques autoritários, precisa se compor de ecossistemas partidários plurais e fortalecidos”.
“A Rede foi criada com base em princípios e valores democráticos, com o propósito de ser um espaço de pluralidade, diversidade, participação cidadã, inovação política e democracia interna. É com esse espírito que seguirei atuando, trabalhando para resgatar esses princípios e valores que lastreiam sua fundação, mas que vêm, de forma antidemocrática, sendo ilegitimamente subtraído”, afirma Marina.
Ao longo dos últimos meses, Marina afirmou nos bastidores que iria lutar para permanecer na Rede “até o fim”, mas o calendário eleitoral poderia ser um obstáculo. A ministra deseja ser candidata ao Senado por São Paulo, e lideranças da federação do PSOL com a Rede trabalham para que ela seja o segundo nome da chapa de Fernando Haddad (PT) à Casa no estado.
“Continuaremos fazendo o bom combate da democracia e guardando a esperança de que a Rede retome a condição plural e democrática, como um espaço de coexistência legítima entre diferentes correntes de pensamento, que aliás foi a base de nossas relações nos primeiros anos de funcionamento partidário”, diz.
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A ambientalista entende que uma eventual candidatura neste ano só existiria caso respeitasse três requisitos: 1) apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; 2) construção coletiva e fortalecimento de uma frente ampla, sobretudo em São Paulo; e 3) o fomento à agenda verde. Até o momento, a chapa petista no estado já conta com Haddad como nome ao governo, e Simone Tebet (PSB) ao Senado.
“No cenário político-eleitoral de São Paulo, também pretendo intensificar ainda mais minha atuação no debate público, contribuindo para a construção de alternativas que assegurem o coeficiente civilizatório do país – um desafio no qual o estado de São Paulo tem papel decisivo. Coloco, assim, meu nome à disposição do debate dentro do nosso campo político para representar a Federação liderada pelo PSOL, na segunda vaga para o Senado, ao lado de Simone Tebet, do PSB”, afirma.
O tensionamento da relação de Marina com a sigla se aprofundou em abril do ano passado após a eleição para a presidência do diretório nacional do partido. O candidato apoiado pela ambientalista foi derrotado por Paulo Lamac, nome referendado por Heloísa Helena — que está rompida com a ministra desde 2022.
Aliados de Marina publicaram, em dezembro, um manifesto contra a direção nacional da sigla. Eles criticam mudanças no estatuto partidário e afirmam haver uma perseguição interna contra a ministra.
Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e optou por integrar a gestão Lula como ministra do Meio Ambiente, Heloísa se posiciona como oposição ao Planalto e defende o “ecossocialismo”, corrente que associa a preservação ambiental à mudança do sistema econômico.
Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro anulou o congresso nacional da Rede Sustentabilidade que culminou na vitória do aliado de Heloísa Helena. À época, a ala próxima à ministra entendeu que a atual situação na sigla criou insegurança política e jurídica nas decisões futuras da atual cúpula da Rede.
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A legenda disse, por sua vez, ter recebido “com surpresa a decisão” e reafirmou “seu compromisso com a lisura, a transparência e a democracia — princípios estes que sempre orientaram a sua atuação partidária”.
Na semana passada, o grupo de Marina teve uma nova vitória jurídica: a Justiça do Distrito Federal concedeu uma liminar para dirigentes próximos à ministra na qual suspende os efeitos da resolução partidária que remete todos os pedidos de desfiliação por justa causa à anuência do diretório nacional da legenda.
A ação afirma que a resolução se trata de um “instrumento de coerção política editado às vésperas da janela partidária, o qual produz reflexos diretos e imediatos no processo eleitoral, na medida em que a resolução pretende, na prática, forçar os atuais mandatários a permanecerem na agremiação contra sua vontade, bloqueando qualquer negociação política que implique eventual desfiliação”.
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