Os arroubos de vaidade e de orgulho característicos do nordestino vêm (também) dos idos anos de 1920, quando o sociólogo e escritor pernambucano Gilberto Freyre (1900-1987), para além de uma reunião de intelectuais, promoveu um encontro que segue em celebração até os dias atuais.
Há cem anos, o Manifesto Regionalista de 1926 reafirmou o Nordeste como um ponto de convergência, fincando manifestações culturais, da gastronomia à dança, à música e à literatura, entre outras, ao que se conhece e se valoriza nos dias atuais.
Centenário
E foi acerca dessa reflexão histórica e de sua importância singular que a Academia Pernambucana de Letras (APL) celebrou, nesta segunda (23), o Centenário do Congresso Regionalista, com a presença da presidente da Academia, Margarida Cantarelli, e conferência da vice-presidente da casa, Maria Lecticia Cavalcanti junto a Gilberto Freyre Neto.
Em debate, a relevância do manifesto e o reflexo de uma identidade nordestina formada a partir do movimento que segue em evidência no cenário cultural do País.
“Para iniciar o ano de 2026, nada melhor do que esse resgate de nossa história, para projetá-la para o futuro. Vale lembrar que o Congresso Regionalista foi uma vanguarda em si (…). A APL está fazendo esse resgate de todo um conjunto cultural, é um desejo nosso para este ano em que se celebra o centenário deste ato”, comentou Margarida Cantarelli.
Olhar regionalista
Para Gilberto Freyre Neto, celebrar o centenário do Congresso Regionalista de 1926, é “um contraponto inteligente à Semana de Arte Moderna de 1922, onde ele (Gilberto Freyre) colocava um olhar mais regionalista, mais qualificado, a seu modo de ver, e modernista para se trabalhar a cultura deste território que ainda não existia como unidade geopolítica”.
Ainda sobre o manifesto, Freyre Neto – que esteve à frente da Fundação que leva o nome do seu avô, por pelo menos 25 anos, e também já ocupou o cargo de secretário de Cultura de Pernambuco – falou sobre a importância desse resgate para os dias atuais, relembrando sobre a construção pensada por seu avô, de uma identidade regional como forma de facilitar a integração entre os estados brasileiros.
“A gente estava vivendo um momento de início da República, pós-Império gerido por um poder centralizado para se tornar um modelo descentralizado, portanto, propenso para desintegração.
Trabalhar regionalmente com essa identidade cultural, para Gilberto Freyre, era uma forma de criar uma interface cultural, uma agregação entre estados que tinham uma mesma identidade ou uma identidade mais próxima entre si”, destaca ele, que complementa afirmando ter sido testemunha do quanto o avô seguiu à risca os pontos colocados no manifesto.
“Tudo passa por esse debate amplo que aconteceu em 1926, e hoje a gente está comemorando o reflexo de tudo isso. O Nordeste brasileiro se reafirma como um ponto de convergência que Gilberto escreveu e promoveu, e ele não fez só, mas liderou um processo rico de qualificação dessa noção do que é ser nordestino”, conclui.
“Alguns charmes”
Para Maria Lecticia, o manifesto organizado por Gilberto Freyre, foi de extrema importância porque, a partir dele, “passamos a compreender a importância desse nosso imenso patrimônio cultural, aprendemos a valorizá-lo e a defendê-lo. É um divisor de águas, é muito importante para a história da cultura”, ressaltou a vice-presidente da APL.
Ainda sobre o reflexo do que se tem como identitário da cultura no Nordeste, é preciso falar também da gastronomia apresentada na ocasião pelo intelectual pernambucano.
Maria Lecticia, que é reconhecida pesquisadora na área, conta que em um dado momento do Congresso Freyre “fez alguns charmes”, um deles, “distribuir cocada para todo mundo”.
“E ele dizia que era o mais saboroso e o mais desprestigiado de todos os doces”, complementa ela para, em seguida, apresentar a mesa com bolo Souza Leão, quebra-queixo, rapadura e cavaquinho, entre outros doces que aguardavam os participantes da celebração dos cem anos do Manifesto na APL.
“As flores são tropicais, ele fazia muita questão. A toalha, de renda, é feita aqui em Pernambuco. É tudo da terra”, enfatiza Lecticia Cavalcanti, com alegria, a despeito do orgulho regionalista de Gilberto Freyre, à época.
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