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Macron pede que BCE reavalie abordagem sobre política monetária para além da inflação

O presidente francês Emmanuel Macron defendeu uma mudança na abordagem da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) para impulsionar o mercado e protegê-lo dos riscos de crise financeira.

Em uma atitude incomum de um líder da zona do euro ao comentar decisões da autoridade monetária, Macron afirmou em entrevista ao jornal Les Echos que o BCE precisa “pensar de forma diferente” se a União Europeia pretende capitalizar seus pontos fortes, como seu mercado interno e a elevada taxa de poupança.

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Mercado interno europeu

Com o dólar americano e o yuan chinês sendo usados como armas econômicas e com o crescimento estagnado na Europa, “parece-me que a política monetária europeia pode ser significativamente ajustada hoje”, disse Macron, citado pelo jornal. “Reafirmar o valor do mercado interno europeu significa que não podemos permitir que a inflação seja nosso único objetivo, mas também crescimento e emprego”, disse ele. 

Líderes da zona do euro normalmente evitam comentar o que o Banco Central deve fazer, sendo que as autoridades monetárias defendem com vigor a independência da instituição como aspecto essencial de seu funcionamento. O presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, que integra o Conselho do BCE, está entre os que criticam fortemente os ataques do presidente Donald Trump ao Federal Reserve dos EUA.

Leia também: BCE mantém juros em meio a crescimento estável apesar de conflitos comerciais

Diferentemente do Fed, que possui mandato duplo — pleno emprego e estabilidade de preços —, o BCE concentra-se na inflação, com meta em torno de 2% no médio prazo. Macron já havia pedido a ampliação dos critérios: em um discurso antes das eleições europeias do ano passado, ele sugeriu incluir uma meta de crescimento e possivelmente outra relacionada à descarbonização.

Na visão de Macron, a decisão do BCE de continuar vendendo títulos governamentais corre o risco de elevar as taxas de juros de longo prazo, desacelerar a atividade e fortalecer o euro, segundo o Les Echos.

O BCE se recusou a comentar a entrevista. Sua presidente, Christine Lagarde, pediu no mês passado medidas “mais amplas e inteligentes” para impulsionar a integração europeia, reiterando que um mercado realmente unificado significaria um crescimento menos dependente das decisões de terceiros.

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“Instabilidade financeira”

Na entrevista, na qual também chamou a China a agir para reduzir desequilíbrios comerciais com a UE ou enfrentar possíveis tarifas, Macron apontou riscos financeiros vindos do outro lado do Atlântico.

“A crescente desregulamentação dos EUA em ativos cripto e stablecoins cria um potencial não negligenciável de instabilidade financeira”, afirmou. “Nossa zona monetária e nossos agentes financeiros precisam continuar protegidos. A Europa deve — e quer — permanecer uma zona de estabilidade monetária e investimento confiável.”

Macron acrescentou que a Europa precisa emitir dívida para oferecer “ativos seguros e líquidos” que ajudem a fortalecer a posição do euro entre as moedas de reserva.



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