A história de um homem que decide que nunca mais será humilhado pode até começar como sonho americano, mas quase sempre termina como guerra particular. É exatamente essa tensão que move “Scarface”, dirigido por Brian De Palma, um épico do crime que transforma ambição em espetáculo e violência em linguagem cotidiana.
Tony Montana, vivido por Al Pacino, chega a Miami como exilado cubano com uma certeza simples: ele não nasceu para ser invisível. Trabalhando primeiro em serviços pequenos e sujos, ele rapidamente percebe que o tráfico de drogas oferece algo que o mundo legal não lhe daria tão cedo: dinheiro rápido, respeito imediato e a sensação de poder. Ao se aproximar do chefão Frank Lopez, interpretado por Robert Loggia, Tony começa a subir na hierarquia com uma mistura de ousadia, imprudência e carisma agressivo. Ele fala alto, ocupa espaço e nunca parece satisfeito com o que já conquistou.
Ao lado dele está Manny Ribera, papel de Steven Bauer, parceiro fiel e mais pragmático, que entende as regras do jogo e tenta, dentro do possível, manter o amigo com os pés no chão. Mas Tony não é homem de meio-termo. Cada negociação bem-sucedida amplia sua ambição. Cada nova soma de dinheiro reforça sua convicção de que o mundo deve algo a ele. E é nesse impulso que surge Elvira Hancock, interpretada por Michelle Pfeiffer, companheira elegante e entediada de Frank. Para Tony, Elvira não é apenas desejo; ela simboliza o topo da pirâmide que ele quer ocupar.
O interesse por Elvira tensiona relações e expõe o quanto Tony está disposto a atravessar limites. Ele não recua diante da autoridade de Frank, e essa postura acelera conflitos que já estavam no ar. A ascensão de Tony se torna meteórica, mas também mais arriscada. Quanto mais ele cresce, mais visível se torna para inimigos e para a polícia federal, que passa a monitorar suas operações financeiras. O dinheiro que antes representava liberdade começa a virar evidência.
O roteiro acompanha essa escalada com energia constante, mostrando como cada vitória de Tony traz um novo problema embutido. Ele amplia negócios, fecha acordos maiores e consolida sua posição, mas o preço é alto: paranoia, desconfiança e isolamento. Dentro de casa, a relação com Elvira se desgasta sob o peso do excesso e da obsessão pelo controle. Tony quer tudo: poder, amor, lealdade, e quer do seu jeito. Essa necessidade de domínio acaba contaminando também sua relação com a irmã Gina, vivida por Mary Elizabeth Mastrantonio, que se torna um ponto sensível em sua vida pessoal.
Al Pacino constrói Tony Montana como uma força da natureza. Ele é exagerado, teatral, muitas vezes brutal, mas nunca desinteressante. O ator não busca suavizar o personagem; ao contrário, abraça seus excessos e faz deles o motor da narrativa. Michelle Pfeiffer, como Elvira, equilibra frieza e fragilidade, oferecendo uma presença que contrasta com a explosão constante de Tony. Steven Bauer funciona como contraponto humano, alguém que entende o perigo antes que ele se torne inevitável.
Brian De Palma conduz a história com estilo marcante, apostando em cenas longas, tensão crescente e momentos de confronto que ficam na memória. A violência não aparece como choque gratuito, mas como consequência direta de escolhas cada vez mais radicais. “Scarface” não pede que o público admire Tony Montana, mas também não o reduz a caricatura. Ele é produto de sua ambição e de um ambiente onde dinheiro e poder falam mais alto que qualquer regra moral.
Fica claro é que cada passo dado por Tony amplia seu império e, ao mesmo tempo, diminui sua margem de segurança. O filme constrói essa contradição com paciência e intensidade, mostrando que subir rápido demais pode significar viver permanentemente à beira do abismo. “Scarface” entende algo essencial: quando alguém decide conquistar o mundo sozinho, inevitavelmente transforma aliados em obstáculos e a própria casa em território vulnerável.
Filme:
Scarface
Diretor:
Brian De Palma
Ano:
1983
Gênero:
Crime/Drama
Avaliação:
10/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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