O interesse da Lufthansa na TAP Air Portugal voltou ao centro do debate no setor aéreo europeu. Durante participação na CNN Summit Portugal Tour, realizada na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, o vice-presidente executivo do grupo alemão afirmou que a integração das duas companhias faria sentido estratégico e poderia fortalecer Portugal como eixo de ligação entre continentes.
Segundo o executivo, os modelos de operação das empresas não competem diretamente, mas se completam. “Se olharmos para os sistemas que oferecemos e para o que a TAP também oferece, somos muito complementares. Somos mais complementares do que qualquer outro sistema de companhias aéreas na Europa”, afirmou.
América do Sul no radar
Um dos pontos centrais da fala foi a força da TAP nas rotas para o Brasil e demais países sul-americanos. O grupo alemão reconhece que não tem presença robusta na região e enxerga aí uma oportunidade clara de expansão.
“Não somos muito fortes na América do Sul, por isso há um elemento adicional que a TAP pode acrescentar à nossa rede”, explicou. Em contrapartida, destacou que a Lufthansa poderia ampliar o fluxo de passageiros europeus para Lisboa e Porto, conectando esses viajantes aos voos de longo curso rumo ao Brasil, América do Norte e África.
Na prática, Lisboa poderia ganhar protagonismo como hub alternativo a Frankfurt ou Munique em determinadas ligações intercontinentais. A estratégia dialoga diretamente com o crescimento do turismo e do tráfego aéreo entre Europa e Brasil, mercado que segue aquecido.
Presença histórica em Portugal
O discurso também reforçou a presença antiga da Lufthansa no país. A companhia opera em Portugal há cerca de 70 anos e atualmente realiza mais de 300 voos semanais para seis destinos portugueses.
O grupo alemão afirma que não atua apenas no transporte de passageiros. Há investimentos previstos em infraestrutura técnica ao sul do Porto, onde uma nova unidade deverá empregar quase mil pessoas. Além disso, mantém equipes na área de serviços e parcerias com universidades.
“Consideramo-nos um cidadão de Portugal”, declarou o executivo, ao destacar projetos sociais e cooperação acadêmica.
Modelo de integração e preservação de marcas
Outro argumento usado foi o histórico de aquisições e integrações do grupo na Europa. A Lufthansa sustenta que consegue incorporar companhias preservando identidade cultural e marca local.
O executivo citou experiências na Suíça, Áustria, Bélgica e Itália, ressaltando que os processos resultaram em crescimento de dois dígitos nesses mercados. A TAP poderia manter sua identidade nacional mesmo dentro de um grande grupo europeu.
Além disso, lembrou que as duas empresas já compartilham parceria há mais de duas décadas dentro da Star Alliance, o que facilitaria qualquer movimento futuro.
Infraestrutura e novo aeroporto
A discussão também passou pela capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O grupo alemão defende melhorias imediatas na infraestrutura atual, mas reconhece que a solução definitiva depende da construção de um novo aeroporto.
“Todos sabemos que o novo aeroporto tem de ser construído”, afirmou. Enquanto isso não acontece, a companhia cobra medidas transitórias que garantam crescimento sustentável do tráfego.
A Lufthansa cita ainda o exemplo de Munique, onde participa como coproprietária de um terminal em modelo de joint venture com o aeroporto local. Segundo o executivo, formatos diferentes de colaboração podem ser discutidos em Portugal, dependendo das condições locais.
Crescimento sustentável e foco no Brasil
Para o grupo alemão, há espaço para expansão no mercado português, desde que haja coordenação entre companhias, governo e infraestrutura aeroportuária. A aposta é clara: usar Portugal como plataforma estratégica para fortalecer conexões com o Brasil e a América do Norte.
“Temos uma ótima relação com a TAP há mais de 20 anos”, disse o executivo, reforçando que a parceria atual já funciona e pode ser aprofundada.
*Com informações da CNN