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Lua Lim inaugura exposição “O que me faz partir”, no Mamam, neste sábado (10)

No Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), o perigo não se consuma — ele paira.


Na exposição “O que me faz partir”, que a artista Lua Lim inaugura neste sábado (10), o visitante encontra lâminas, serras, foice, arames farpados e outros objetos cortantes atravessados por linhas vermelhas. Nada é cortado de fato. Tudo está por um fio. 


A mostra, que tem curadoria de Olívia Mindêlo, propõe uma travessia sensível pela iminência do gesto, pelo desejo que avança e recua, pela força vital que empurra o corpo para seguir adiante.


São oito trabalhos inéditos da jovem artista de 27 anos, que articulam, no limite da ruptura,  arte têxtil e materiais cortantes do cotidiano, evocando o desejo como força vital em permanente movimento.


“Não é mais o que me fere, é o que me faz partir”, resume a artista, retomando a frase que dá nome ao trabalho e que atravessa toda a narrativa da mostra.




A iminência do corte como linguagem

Serrotes, lâminas de barbear, punhais, arames farpados, agulhas, serras de peixe – ferramentas que costumam ferir – surgem aqui como suportes para bordado, crochê e costura. 


A linha vermelha, elemento central da exposição, estica-se no limite das lâminas, do metal, criando tensão e ambiguidade.


“Você está colocando um objeto frágil junto de um objeto cortante, mas eles não se rompem. Existe aqui uma iminência do corte. Se a gente pensar no desejo, essa relação é muito mais provocativa do que se fosse uma coisa óbvia. É a relação da linha com o ferro, isso também é tesão, isso também é vida”, observa Olívia.


Esse estado de suspensão organiza o percurso da mostra. Há repetição no gesto do crochê, e no vai-e-volta do serrote (objeto “ponto de partida” da expo), mas também a promessa de avanço. 


Para Olívia, o trabalho de Lua opera nesse intervalo delicado entre insistir e romper: “Enquanto a repetição do crochê faz avançar, o movimento do serrote parece não sair do lugar. É nesse atrito que a obra acontece”, comenta.  


O desejo que se borda com o corpo

O desejo, aqui, não é ilustrativo nem óbvio. Ele se manifesta como erotismo vital, como energia que atravessa o corpo e se materializa no gesto, antes de palavras se arvorarem a definir algo.


Lua Lim fala de sua prática como um aprendizado íntimo:  “Eu gosto de falar muito sobre sexualidade, gênero, prazer, a língua, essa é a minha investigação”, diz Lua. “Eu extraio o belo das coisas simples que me seduzem. Meu trabalho nasce desse instinto, dessa inteligência do corpo que vem antes da palavra.” 


A relação com os objetos cortantes é física e direta. Muitos deles vêm da própria história da artista, como as serras usadas na peixaria onde trabalhou, em Água Fria.


  • Exposição “O que me faz partir”, de Lua Lim | Foto: Juliana Amara/Divulgação

  • Exposição “O que me faz partir”, de Lua Lim | Foto: Juliana Amara/Divulgação

  • Exposição “O que me faz partir”, de Lua Lim | Foto: Juliana Amara/Divulgação

  • Exposição “O que me faz partir”, de Lua Lim | Foto: Juliana Amara/Divulgação


“Essas lâminas chegaram como sinais. Fui percebendo quais objetos afiados existiam no meu cotidiano, e eles foram se impondo como obra”, conta Lua.


O resultado é uma produção marcada pela exaustão do fazer, pelo risco e pela repetição, elementos, como diz Olívia Mindêlo, que aproximam sua prática da performance.


Partir não é fugir

“O que me faz partir” carrega uma vasta polissemia. Partir pode ser ir embora, avançar, separar, particionar, abrir caminho.


Para a curadora, essa ambiguidade é essencial: “A exposição propõe um caminho, mas não uma ordem fechada. Cada pessoa faz sua própria jornada, lança suas questões e constrói suas leituras”, pontua Mindêlo. 


Nesse percurso, o corte não aparece como ruptura consumada, mas como possibilidade. Uma ameaça que também liberta. “Nada aqui foi rompido ainda”, provoca Olívia. “É a potência do que pode acontecer”, finaliza.


Entre linhas tensionadas e lâminas suspensas, a exposição convida o público a permanecer nesse intervalo onde o desejo pulsa, o corpo sente e o partir se insinua.


A mostra fica em cartaz no Mamam até 29 de março, com visitação gratuita. Uma experiência para quem aceita olhar de perto aquilo que corta e, ainda assim, escolhe não desviar.


O projeto é uma realização da Experimento Produções, foi contemplado no Edital de Multilinguagens – PNAB Recife, e conta com incentivo da Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura, e do Ministério da Cultura – Governo Federal, e com o apoio do Mamam.


SERVIÇO

Exposição “O que me faz partir”, de Lua Lim

Abertura: Sábado (10), a partir das 15h

Quando: até 29 de março

Onde: Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – Rua da Aurora, 265, Boa Vista – Recife-PE

Visitação: Quarta a sexta, das 10h às 17h; Sábados e domingos, das 10h às 16h

Acesso gratuito

Informações: @mamamrecife / @lualim_art

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Fonte

Redação

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