A pior hora para questionar o próprio passado é quando todos à sua volta querem vê-lo morto. Em “Assassino Sem Rastro”, Liam Neeson volta ao território que conhece bem: o do homem experiente, cansado, perigoso e cada vez mais sozinho. Aqui ele vive Alex Lewis, um assassino profissional que decide encerrar a carreira, mas aceita um último trabalho antes da aposentadoria. O problema surge quando ele descobre que o alvo é uma adolescente. Alex recua. Ele tem um código, torto e discutível, mas ainda assim um código. Ao se negar a cumprir o contrato, ele perde a proteção dos próprios empregadores e entra em rota de colisão com uma rede criminosa muito maior do que imaginava.
A situação se complica quando a garota acaba morta por outro matador. A partir daí, o que era um simples cancelamento vira cruzada pessoal. Alex passa a caçar os responsáveis pelo esquema de tráfico infantil, ao mesmo tempo em que tenta escapar da mira do FBI. É nesse ponto que entra Vincent Serra, agente vivido por Guy Pearce. Serra tem ligação direta com o caso e não está disposto a deixar que um assassino atrapalhe sua investigação. O embate entre os dois não é apenas físico; é também moral e estratégico. Um opera fora da lei, o outro dentro dela, mas ambos querem alcançar as mesmas pessoas.
O diferencial do filme dirigido por Martin Campbell está em adicionar um elemento de fragilidade ao protagonista. Alex sofre de perda de memória progressiva. Não é um detalhe decorativo, é um fator que interfere nas decisões, nos confrontos e na própria sobrevivência. Ele anota informações, tenta manter controle sobre nomes e rostos, mas os lapsos surgem nos piores momentos. Isso cria tensão real, porque não se trata apenas de fugir de criminosos armados, e sim de lutar contra o próprio cérebro. Liam Neeson sustenta bem essa vulnerabilidade, trazendo menos arrogância e mais desgaste ao personagem.
Guy Pearce constrói um Vincent Serra determinado, direto, sempre pressionado por prazos e resultados. Ele não confia em Alex, mas entende que há algo maior por trás da perseguição. Já Taj Atwal representa uma peça importante dentro da engrenagem criminosa, trazendo frieza e cálculo ao jogo de interesses que move a trama. Ninguém aqui é ingênuo. Cada personagem negocia, recua ou avança conforme a informação disponível.
A direção aposta em ritmo constante, com perseguições secas, confrontos rápidos e poucas firulas. Martin Campbell não tenta reinventar o thriller de ação, mas sabe conduzir tensão com eficiência. O foco está nas escolhas e nas consequências imediatas delas. Quando Alex decide agir, alguém reage. Quando ele hesita, perde espaço. Essa dinâmica mantém o espectador atento, mesmo que a estrutura seja familiar.
“Assassino Sem Rastro” não é revolucionário, mas funciona porque entende seu protagonista. É uma história sobre um homem acostumado a controlar tudo e que, de repente, começa a perder o domínio da própria mente. A ação entrega o que promete, mas o que sustenta o interesse é ver até onde Alex Lewis consegue ir antes que suas falhas o alcancem. E essa corrida contra o tempo, interna e externa, é o que realmente segura o filme até o fim.
Filme:
Assassino Sem Rastro
Diretor:
Martin Campbell
Ano:
2022
Gênero:
Ação/Crime/Suspense
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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