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Leveza e distração: comédia romântica com Dakota Johnson e Rebel Wilson é boa pedida para fim de semana

Terminar um namoro longo parece libertador no discurso, mas na prática exige reaprender a ficar sozinho sem transformar cada silêncio em recaída. É exatamente esse ponto de partida que move “Como Ser Solteira?”, com Dakota Johnson, Rebel Wilson e Leslie Mann, sob direção de Christian Ditter. A história acompanha Alice (Dakota Johnson), que decide dar um tempo no relacionamento estável para descobrir quem é fora da lógica de casal. Ela se muda, reorganiza a rotina e mergulha na vida noturna de Nova York tentando provar a si mesma que consegue viver sem uma “metade”.

No novo emprego e no apartamento recém-assumido, Alice percebe rapidamente que ninguém ensina como ser solteira de verdade. É aí que entra Robin (Rebel Wilson), colega de trabalho expansiva, barulhenta e absolutamente confortável no caos das festas. Robin praticamente adota Alice e a arrasta para bares, encontros casuais e regras não escritas sobre não criar expectativas. A proposta é simples: divertir-se primeiro, pensar depois. O problema é que essa cartilha cobra um preço emocional que nem sempre aparece na primeira rodada de drinques.

O filme acerta quando mostra que a liberdade tem custo. Cada saída rende histórias engraçadas, constrangimentos públicos e decisões precipitadas. Robin transforma situações embaraçosas em piada e usa o humor como escudo, mas Alice nem sempre consegue fazer o mesmo. Dakota Johnson compõe uma protagonista contida, que observa mais do que fala, e deixa claro que a busca por autonomia também passa por insegurança e solidão. A comédia nasce dessas tentativas mal calculadas de parecer confiante.

Em paralelo, a irmã de Alice, Meg (Leslie Mann), vive outro tipo de dilema. Médica dedicada, ela aposta na maternidade independente e tenta organizar a vida sem depender de um parceiro fixo. Leslie Mann traz energia e vulnerabilidade à personagem, que negocia carreira, expectativas familiares e a própria vontade de ter controle sobre tudo. Quando surge a possibilidade de um relacionamento mais estável, Meg precisa decidir até que ponto cede espaço. Esse contraponto amplia a discussão: ser solteira não é só sair à noite, é assumir responsabilidades e escolhas de longo prazo.

Há também Tom (Jake Lacy), dono de bar que representa uma alternativa menos caótica ao circuito de encontros aleatórios. Ele demonstra interesse genuíno por Alice, o que a coloca diante de uma pergunta incômoda: experimentar tudo significa rejeitar qualquer estabilidade? O roteiro não transforma isso em sermão. Prefere acompanhar as idas e vindas, as mensagens não respondidas, os convites aceitos por impulso e as recusas tardias. Cada decisão altera a dinâmica entre amigos, ex-namorados e possíveis parceiros.

Christian Ditter mantém o ritmo leve e urbano, explorando apartamentos pequenos, pistas de dança e conversas atravessadas por notificações de celular. O filme não romantiza completamente a solteirice, mas também não a trata como fase de sofrimento obrigatório. Mostra erros, exageros e pequenos aprendizados. E faz isso sem moralizar.

“Como Ser Solteira?” não é sobre encontrar imediatamente outro amor, e sim entender o que ela aceita, o que recusa e como administra o próprio tempo. Entre festas e silêncios, o filme sugere que independência não é ausência de vínculo, mas a capacidade de escolher quando e com quem se envolver, e essa escolha, por si só, já muda tudo.

Filme:
Como Ser Solteira?

Diretor:

Christian Ditter

Ano:
2016

Gênero:
Comédia/Drama/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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