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Letícia Bastos relê clássico do frevo e lança versão pop de “Madeira que Cupim Não Rói”

Um dos frevos mais emblemáticos do repertório pernambucano ganha nova roupagem na voz de Letícia Bastos. Na última semana, a artista recifense lançou sua releitura de “Madeira que cupim não rói”, composição imortal de Capiba, nas plataformas digitais. 


A canção, eternizada como emblema do Bloco Carnavalesco Misto Madeira do Rosarinho, homenageado no Carnaval do Recife em 2026, reaparece agora envolta em uma linguagem pop.




Segundo Letícia, o que ela apresenta é um “frevo pop”. A base rítmica tradicional dialoga com uma sonoridade que funde referências do pop contemporâneo a células inspiradas no ijexá e na capoeira. 


Guitarras elétricas em frases que flertam com o R&B, enquanto baixos densos e sintetizadores moldam uma atmosfera urbana, sem necessariamente ofuscar a identidade da obra original.


“Este hino de Capiba carrega um significado sobre resistência cultural e tem um espaço especial dentro da minha história. O próprio título já diz tudo: o que é feito de raiz, de identidade e de povo não se desgasta com o tempo. O Bloco Carnavalesco Misto Madeira do Rosarinho é uma das agremiações mais tradicionais do carnaval pernambucano. Revisitar essa obra agora é uma forma de me conectar com esse momento histórico e de reafirmar que o Carnaval não pertence ao passado: ele continua vivo, pulsante e em transformação”, afirma Letícia.


Camadas vocais e backings ampliam a sensação de coro coletivo, evocando a experiência dos blocos líricos, reforçando o frevo como patrimônio que se mantém ativo enquanto seguir sendo reinventado.



Clipe

Gravado entre o Recife Antigo e o Rio Capibaribe, o videoclipe propõe um encontro simbólico entre manifestações que atravessam o carnaval local. 


Referências ao frevo, ao maracatu, à La Ursa, ao Galo da Madrugada e à Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos surgem como personagens de uma memória compartilhada – esta última representada pela camisa popularizada pelo filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho.


Um estandarte com a frase “O frevo é pop” sintetiza o momento artístico de Letícia Bastos. Figurinos, cores e brilhos partem da estética tradicional, mas são atravessados por uma leitura própria de Letícia, nesse diálogo também com moda e audiovisual.



A escolha da canção como trilha pessoal para o Carnaval deste ano também ativa lembranças de infância.


“Foi, sem dúvida, um dos primeiros frevos que aprendi a cantar por inteiro, entendendo não só a melodia, mas a mensagem que ela carrega. Uma mensagem de força, resistência e de enfrentamento às injustiças que atravessam o tempo. Para mim, é uma grande honra poder regravar essa canção e contribuir para que ela continue viva, atravessando gerações como herança cultural, assim como atravessou a minha própria história”, reflete.


“Madeira que Cupim Não Rói”

Criada em 1963 como resposta ao resultado de um concurso carnavalesco que deixou o Madeira do Rosarinho em segundo lugar, atrás do Batutas de São José, a composição de Capiba ultrapassou o episódio e se transformou em símbolo de afirmação cultural.

Mais de seis décadas depois, “Madeira que cupim não rói” segue como expressão da resistência recifense e segue se renovando.

 


* Com informações da assessoria

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Fonte

Redação

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