Em entrevista exclusiva, Leonardo Fiuza detalha a modernização do centro de serviços, a parceria estratégica com a F/List, a inédita certificação para manutenção de motores Williams e o avanço do mercado brasileiro de aviação de negócios
Com sólida trajetória na aviação de negócios, Leonardo Fiuza preside a TAM Aviação Executiva, onde liderou a modernização do centro de serviços em Jundiaí e estabeleceu novas parcerias estratégicas. Ele também é presidente do conselho da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), atuando como elo entre empresas privadas e órgãos públicos do setor.
- Quais são as principais novidades da TAM AE?
Nos últimos dois anos passamos por uma transformação bastante abrangente na base de Jundiaí, que é a sede dos nossos centros de serviço. Embora a instalação exista desde 2004, ela entrou em um ciclo de modernização e expansão que envolveu tanto áreas físicas quanto novas capacidades técnicas. Entre as principais novidades estão o novo Design Center, criado em parceria com a austríaca F/List, e a modernização completa da cabine de pintura, que recebeu novos sistemas de ventilação, exaustão e iluminação LED, além de tecnologia a laser para pré-visualização dos layouts. Além disso, expandimos a capacidade em upgrades de aviônicos, especialmente para instalação de internet e modernização de painéis, e criamos um Centro de Suporte AOG 24/7, dedicado exclusivamente a atender aeronaves em pane em qualquer ponto do Brasil e países do Cone Sul. - Como funciona essa parceria com a F/List?
A parceria com a F/List nos permite oferecer, aqui no Brasil, o mesmo padrão de qualidade de interiores que ela já fornece para grandes fabricantes mundiais de aeronaves e também para iates de luxo. No nosso Design Center, o cliente tem acesso a todas as amostras de materiais — carpetes, couros, pedras, tecidos, iluminação e enxoval — e conta com especialistas da TAM AE e da própria F/List para definir cada detalhe do interior da aeronave. - Esse serviço de interior é restrito a aeronaves Textron?
Não. Podemos trabalhar em aeronaves de qualquer fabricante, sem conflito, pois atuamos apenas no interior e no mobiliário da cabine. - Também houve avanços na área de manutenção de motores, certo?
Sim, reestruturamos também nossa área de motores, tornando-nos centro de serviço autorizado Pratt & Whitney e, de forma inédita no mundo, centro autorizado da Williams para realizar inspeções de sessão quente (HSI). - Não sabia que existia serviço na seção quente fora da Williams nos EUA…
Sim, é inédito. A Williams sempre foi muito restrita em relação às oficinas autorizadas a chegar ao nível de inspeção de sessão quente (HSI). Até então, nenhuma outra empresa no mundo tinha essa permissão. Eles avaliaram nossa estrutura, capacidade técnica e histórico de manutenção e decidiram autorizar a TAM AE a executar esse tipo de serviço. - A demanda por internet a bordo está crescendo?
Muito. Hoje é um dos serviços mais procurados. Atendemos desde aeronaves leves até jatos maiores, sempre com cuidado regulatório e técnico, pois a instalação precisa seguir um STC aprovado pela ANAC para garantir segurança e evitar interferências. - Como está o mercado de upgrades de aviônicos?
Existe demanda e potencial de crescimento. Realizamos modernizações completas de painéis, migrando de analógico para digital, principalmente com sistemas Garmin. Quanto mais atualizada a aeronave, menor a carga de trabalho do piloto e maior a segurança. - Como evoluiu o táxi aéreo da TAM AE?
A empresa seguiu o movimento internacional de reduzir frota própria e focar em gestão de aeronaves de terceiros. Hoje operamos apenas aeronaves gerenciadas e oferecemos ao cliente flexibilidade: ele decide se quer ou não disponibilizar seu avião para fretamento. - Como estão as vendas de aeronaves novas e usadas?
O mercado vive forte crescimento desde o pós-pandemia. Os fabricantes têm backlog de até três anos, o que aquece as vendas no Brasil e valoriza o mercado de usados. A entrada de aeronaves no país é maior que a saída, ampliando a frota. - Em quais setores surgem novos proprietários de aeronaves?
O agronegócio lidera, representando cerca de 40% das vendas. Mas também vemos crescimento em mineração, construção civil, mercado financeiro e empresas de serviços — muitas delas pouco conhecidas e com forte necessidade de mobilidade aérea.

