SÃO PAULO — Mais do que inaugurar uma nova rota, a Latam Airlines começa sua operação entre São Paulo (GRU) e Amsterdã com um indicativo claro de demanda aquecida: a oferta de voos precisou ser ampliada antes mesmo da estreia. O movimento foi oficializado nesta sexta-feira (27), em evento com o trade realizado no Sheraton São Paulo WTC Hotel.
Por trás da decisão, segundo Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil, está um ponto central: a rota já nasce apoiada em uma demanda existente.
“Amsterdã já é um destino com uma indústria importante. Existe uma forte ligação de negócios com o Brasil. Quando esse mercado já existe, a escolha se torna mais segura, porque não precisamos desempenhar um papel tão grande de gerar conhecimento do destino”, explicou.
Esse cenário muda a dinâmica tradicional de lançamento de rotas. Em vez de exigir um esforço mais intenso de estímulo e posicionamento, a operação encontra um fluxo já estabelecido, principalmente no segmento corporativo, que ajuda a sustentar a ocupação desde o início. “É um destino que concentra tanto demanda de lazer quanto de trabalho, e isso é essencial para viabilizar a integridade da rota”, disse.
A escolha também leva em conta fatores geográficos e logísticos. Inserida em uma das regiões economicamente mais relevantes da Europa, Amsterdã funciona como porta de entrada estratégica para o eixo do Benelux. Embora a operação tenha foco em passageiros, o transporte de cargas no porão das aeronaves entra como complemento importante na equação da rota.
Rota consolidada muda curva de vendas
Esse cenário apareceu rapidamente nos números. Segundo Aline Mafra, a resposta do mercado veio quase imediata e fora do padrão para uma rota nova.
“No momento em que publicamos o voo, a resposta foi muito rápida. Amsterdã chegou a ser o destino mais vendido em uma das nossas campanhas. Isso não é comum”, afirmou.
A reação acelerada acabou mudando o próprio planejamento da operação. Inicialmente prevista com três frequências semanais, a rota foi ampliada ainda durante a fase de vendas.
“Foi a primeira vez em 20 anos que vimos uma rota dobrar de tamanho antes mesmo de começar. A gente lançou, adicionou frequência, voltou para o plano, ajustou de novo… até encontrar o melhor caminho”, disse.
Apesar do desafio de ajustar a estratégia em movimento, a leitura interna é positiva. A resposta forte do mercado deu segurança para antecipar o crescimento da operação antes mesmo do primeiro voo.
Conectividade que vai além do passageiro
A entrada de Amsterdã na malha também reforça uma lógica mais ampla de conexão entre Brasil e Europa, que vai além do transporte de passageiros. A rota se apoia em uma relação econômica já consolidada entre os dois mercados.
Representantes da Embaixada dos Países Baixos no Brasil lembraram que o país europeu figura entre os principais parceiros comerciais do Brasil, ocupando a quarta posição entre os destinos das exportações nacionais.
Na prática, isso amplia não só o fluxo de viajantes, mas também de negócios e cargas, reforçando o papel da aviação como elo estratégico entre os dois países.
Bruxelas entra como complemento
Dentro dessa expansão, a nova rota para Bruxelas surge como uma extensão natural da estratégia, com perfil mais voltado ao público corporativo. “Bruxelas tem um perfil mais corporativo, mas os dois destinos se complementam muito bem. Pela proximidade, é possível até montar uma viagem triangular”, explicou Mafra.
A expectativa, no entanto, é de que Amsterdã concentre o maior volume de demanda. “Vejo Bruxelas com boa resposta, mas Amsterdã ainda deve se destacar em procura.”
Turismo internacional ganha força
Ao mesmo tempo em que atende à demanda do brasileiro que viaja ao exterior, a companhia também mira o fluxo inverso. Atrair turistas estrangeiros passa a ser parte importante da equação.
“Mesmo que, inicialmente, a maior demanda seja de brasileiros saindo, trazer estrangeiros é essencial: eles trazem investimento, moeda estrangeira e permanecem mais tempo no país. Então, nas nossas conversas com destinos e autoridades, essa pauta é sempre relevante. Apoiar o crescimento do turismo no Brasil também faz parte da nossa estratégia”, afirmou Mafra.
A leitura acompanha o cenário apontado pela Embratur, que indica crescimento consistente do fluxo aéreo entre Brasil e Europa, impulsionado por ações conjuntas entre companhias, destinos e o setor turístico.
Expansão com base mais sólida
O lançamento da rota para Amsterdã faz parte de um momento mais estruturado de crescimento internacional da Latam, apoiado na recuperação financeira e operacional no pós-pandemia.
“Hoje estamos em uma posição mais segura para planejar crescimento. A Latam tem sido a companhia que mais cresce no Brasil, muito por conta dessa base sólida”, disse Mafra.
Ainda assim, a executiva pondera que novas ampliações seguem condicionadas a variáveis como desempenho de vendas, disponibilidade de slots e capacidade operacional. No caso de Amsterdã, esses fatores se alinharam mais rápido do que o previsto.