Em “Alguém Tem Que Ceder”, de Nancy Meyers, Harry Sanborn leva Marin Klein para a casa de praia dela esperando um retiro a dois, mas encontra Erica Barry e Zoe já no lugar. A decisão de chegar como casal esbarra em território ocupado por quem dita as regras, e a tentativa de preservar privacidade vira convivência inevitável. O jantar entre os quatro deixa claro que o visitante não será tratado como convidado confortável: o constrangimento circula à mesa e abre o fim de semana com uma sensação de invasão.
O ataque cardíaco de Harry durante a intimidade com Marin muda o plano por uma necessidade física: hospital, avaliação e a recomendação de permanecer na região. A volta ao mesmo endereço vem como imposição prática, com repouso sob o teto de Erica e dependência diária de quem ele acabou de constranger. Jack Nicholson faz essa virada ter corpo: o homem acostumado a circular com segurança aparece reduzido a paciente, preso a regras alheias e observado por pessoas que não têm motivo para aliviar a situação.
Erica assume os cuidados como obrigação não escolhida, e hospedar o paciente força encontros contínuos que não cabem no papel de “mãe da namorada”. A administração da rotina — acolher, vigiar, engolir irritação — transforma a anfitriã em responsável por alguém que ela não convidou. Diane Keaton sustenta essa etapa no concreto: a presença repetida de Harry, somada ao desconforto inicial, desloca o convívio do atrito imediato para uma proximidade que nasce da permanência, não de discursos.
Julian Mercer chega como extensão do hospital: atendeu Harry, determinou o repouso e mantém o acompanhamento. Ao mesmo tempo, se aproxima de Erica por admiração e atração, instalando um triângulo dentro da mesma convivência. Harry, ainda preso à recuperação, precisa assistir à aproximação de Julian com a dona do lugar enquanto tenta esconder o próprio interesse, e a rivalidade se forma pelo simples fato de ninguém conseguir se retirar e encerrar o assunto.
A relação com Marin muda sem contorno: ela diz que vai terminar, e Harry termina primeiro. O corte encerra o casal que abriu o fim de semana e abre caminho para que Harry e Erica se vejam de outro modo, até o envolvimento sexual. A liberação médica para voltar à cidade desloca o problema para fora do refúgio: a despedida acontece com hesitação, e ele não converte automaticamente o que viveu ali em compromisso assumido do lado de fora.
Marin recebe a notícia de que o pai vai se casar novamente e força Erica a acompanhá-la a um jantar, levando a mãe para um espaço em que o privado aparece sob luz pública. No mesmo jantar, Erica vê Harry com uma mulher mais jovem e escolhe o confronto direto: declara que está apaixonada, mede a reação dele e rompe, saindo. A sequência é incisiva porque não negocia: a visão dispara a fala, a fala não encontra a resposta esperada e a saída vira o gesto que encerra o vínculo naquele momento.
Erica passa semanas chorando e transforma a experiência em material de escrita, iniciando uma peça inspirada no que viveu. Harry toma conhecimento do que está sendo ensaiado e vai ao teatro, mas encontra distância em vez de reaproximação, e a recusa o empurra para uma crise de pânico. A orientação médica para reduzir estresse recoloca o impasse de forma operacional: ele precisa se afastar por um tempo, sem que isso resolva o que ficou pendente com Erica.
Filme:
Alguém Tem Que Ceder
Diretor:
Nancy Meyers
Ano:
2003
Gênero:
Comédia/Drama/Romance
Avaliação:
9/10
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Marcelo Costa
★★★★★★★★★★
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