Jalmari Helander filma “Sisu” como uma perseguição em território já mastigado pela guerra. Jorma Tommila interpreta Aatami Korpi, homem calado que encontra ouro no deserto da Lapônia e tenta levar a fortuna até a cidade. No caminho, cruza com um pelotão nazista em retirada, comandado por Bruno Helldorf, oficial vivido por Aksel Hennie que decide tomar tudo. Antes de a violência começar, o cenário já dá a medida do estrago, com crateras, fumaça, postes e restos de terra arrasada ao longo da estrada.
Korpi não é apresentado como sujeito de discurso ou de passado minuciosamente explicado. Helander prefere fixá-lo pelo corpo, pelo rosto ferido, pelo cavalo, pelo cão e pela maneira como ocupa o espaço sem pedir licença. Quando os alemães percebem o peso do ouro e entendem que não estão diante de um civil qualquer, o encontro vira perseguição aberta contra alguém marcado pela fama de ex-combatente e pela insistência em continuar andando mesmo depois do que derrubaria qualquer outro. Há também mulheres mantidas sob coerção naquele destacamento, e essa presença desloca a ação do roubo para um quadro mais amplo de brutalidade ainda em marcha.
A Lapônia de “Sisu” não aparece como paisagem bonita atravessada por homens armados. Surge como lugar já violado, com vilarejos queimados, corpos expostos e um vazio que engole estrada, cavalo e caminhão. Helander explora esse relevo áspero sem buscar abrigo visual, e a perseguição ganha força justamente porque quase tudo se passa em campo aberto, onde distância e risco ficam à vista. Quando Korpi retoma o caminho para a cidade com o ouro preso à sela e o pelotão volta a cercá-lo, cada reaparição dele altera o equilíbrio da caçada.
Esse movimento dá ao filme um ritmo menos elegante do que insistente. Korpi foge, volta, some, reaparece e transforma o que parecia emboscada fácil em erro de cálculo dos alemães. O interesse está menos no tamanho da operação militar do que na mudança de atitude daquele grupo em retirada, que começa tratando o homem como presa e passa a enxergá-lo como ameaça concreta. Nada ali depende de fala explicativa.
Helander acerta ao pôr boa parte do perigo no terreno. As minas terrestres espalhadas pelas estradas daquela retirada alemã concentram bem o tipo de ação que “Sisu” procura, uma ação em que o corpo precisa medir o chão antes de medir o inimigo. O diretor trabalha com imagens secas de um homem atravessando deserto, estrada e campo minado sob ameaça contínua, sempre com noção nítida de espaço. O risco vem do piso, do metal, do passo em falso.
Ao redor disso, a violência cresce em crueldade e invenção, de golpes diretos a explosões maiores, mas sem perder a clareza do lugar em que cada confronto acontece. O ouro é o motor mais visível do ataque, só que o filme ganha corpo quando opõe aquele destacamento, que queima o que encontra pelo caminho, a um ex-soldado que segue adiante com cavalo, cão e uma obstinação quase muda. Tommila segura esse centro sem pose heroica, sustentando a ideia de resistência no peso do corpo e na rigidez do gesto. No fim, Helander mantém tudo preso à ferrugem, à lama, ao fogo, à estrada e ao barulho do metal batendo na sela.
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