REDAÇÃO DO DIÁRIO (entrevista: Paulo Atzingen; texto: Clara Silva)
Parte da estratégia de inovação da Saga Systems passa pela relação direta com fornecedores e centros de produção no exterior. Duas vezes por ano, Jessé Resende viaja à China para acompanhar de perto a operação da fábrica que produz as fechaduras eletrônicas da empresa.
Segundo ele, as visitas também incluem participação na Canton Fair, considerada uma das maiores feiras de tecnologia e eletrônicos do mundo.
“Nós temos uma fábrica na China, então eu viajo duas vezes ao ano para ficar pelo menos dez dias na fábrica. Eu aproveito a viagem para ir no mesmo período da Canton Fair, que é a maior feira do mundo na área de tecnologia e eletrônica, e visito a feira também por pelo menos dois dias”, afirma.
O executivo costuma permanecer cerca de duas semanas no país, período dedicado quase integralmente às atividades industriais. “Quinze dias. Nunca dá tempo de conhecer a China. A fábrica toma muito tempo. Eu adoraria, mas nunca fui nem à Muralha da China”, conta.
Com quase 40 anos no setor, Resende acompanhou todas as grandes mudanças tecnológicas das fechaduras eletrônicas usadas na hotelaria.
Ele lembra que o mercado passou por diversas fases, desde sistemas mecânicos até soluções totalmente conectadas.
“Comecei quando era cartão perfurado e fechadura mecânica. Depois vieram as fechaduras com cartão perfurado eletrônico, depois com cartão de banda magnética, depois com cartão com chip de contato. Aí vieram as fechaduras com chip sem contato de proximidade, as fechaduras com BLE e também as fechaduras online”, explica.
Hoje, segundo ele, os sistemas permitem que hotéis monitorem e gerenciem operações em tempo real.
“Hoje você pode controlar o hotel inteiro através das fechaduras online em tempo real. Você consegue ver quem está entrando no apartamento, tirar relatório de uso e acompanhar tudo em tempo real”, afirma.
Entre as novidades tecnológicas da empresa está o desenvolvimento de fechaduras conectadas por meio da tecnologia LoRa, baseada na Internet das Coisas (IoT).
Segundo Resende, a solução permite integrar segurança, automação e controle de consumo dentro do hotel.
“Nós estamos lançando fechaduras online com uma tecnologia chamada LoRa, que usa a internet das coisas. Com essa tecnologia, conseguimos integrar o sistema de economia de energia dentro do sistema de fechaduras”, explica.
O resultado é uma gestão mais eficiente da operação.
“Você consegue controlar o apartamento e oferecer mais segurança para o hóspede e economia para o hotel. Dá para acompanhar até consumo de energia e até consumo de água dentro do apartamento”, diz. Ele acrescenta que a automação pode inclusive otimizar o trabalho das equipes.
“Quanto mais você automatiza, mais liberdade dá para as pessoas fazerem o que realmente gostam de fazer, que é se relacionar com outro ser humano.”
Apesar dos avanços da automação, Resende critica o uso da tecnologia exclusivamente para redução de custos com mão de obra. Para ele, a inovação deve servir para melhorar o serviço prestado ao cliente.
“O que eu vejo de negativo são as pessoas que buscam automação para tirar a mão de obra, para cortar emprego. São pessoas que colocam a ganância acima do serviço que querem prestar”, afirma.
Na avaliação do executivo, os hoteleiros precisam entender que tecnologia deve ser vista como investimento.
“Tecnologia não é custo. Quando você investe em um hotel, ele precisa estar redondinho, moderno, bonito, não só para receber os clientes, mas também para quem trabalha nele”, diz.
Ao selecionar um fornecedor de tecnologia para o hotel, Resende afirma que o preço não deve ser o principal critério. Segundo ele, fatores como reputação da empresa e qualidade do serviço técnico são essenciais.
“Um ponto importante é o histórico da empresa. Quem está por trás da empresa. Porque no fundo os relacionamentos são pessoais”, explica.
Ele destaca que suporte técnico é decisivo nesse tipo de solução.
“Quando se fala de tecnologia, eletrônica e software, sem serviço você morre sozinho. O hotel precisa avaliar qual é a reputação da empresa e o que os clientes dizem desse serviço”, afirma.
Além disso, o executivo lembra que a escolha é de longo prazo.
“Uma fechadura eletrônica tem um relacionamento mínimo de dez a quinze anos com o hotel. É um parceiro que vai ficar com você muito tempo.”
Entre as tecnologias usadas atualmente na hotelaria, as pulseiras inteligentes têm se destacado principalmente em resorts. Para Resende, o sistema facilita o acesso a serviços e aumenta a conveniência do hóspede.
“Você coloca uma pulseira no braço e pode circular pelo resort inteiro. Abre a porta do apartamento, a garagem, tem acesso ao parque e praticamente a todo o hotel”, explica. Além disso, a tecnologia pode funcionar como meio de pagamento.
“Nos pontos de venda, a pulseira pode se transformar em um cartão de crédito ou débito. Você carrega um valor na recepção e vai usando nos restaurantes, bares ou outros serviços”, afirma.
Entre os clientes da Saga Systems que utilizam esse modelo está o Beach Park.
“O Beach Park usa a pulseira no estacionamento, nos pontos de venda e nos apartamentos. Ele usa praticamente em todos os pontos do hotel”, destaca.
Mesmo com diversas soluções disponíveis hoje, Resende acredita que o futuro da hotelaria será marcado pela biometria facial.
Para ele, a tecnologia tende a ganhar espaço conforme os usuários se acostumarem com o modelo.
“Na minha opinião, o futuro vai ser biometria facial. Com mais alguns anos ela vai entrar de vez no mercado. As pessoas vão perder um pouco o medo de ter o rosto armazenado no sistema. Isso é cultural e vai mudar com o tempo”, afirma.
Com mais de 140 mil fechaduras instaladas no Brasil, a Saga Systems agora volta seus esforços para a expansão internacional.
A empresa está abrindo uma filial no Chile e pretende consolidar presença na América Latina nos próximos anos.
“Nós já temos um escritório no Chile, já temos pessoal contratado e já começamos a trabalhar como filial. Agora estamos aguardando apenas a formalização final da empresa para subir o site e iniciar oficialmente a operação”, explica.
Segundo Resende, a nova estrutura atenderá diversos países da região.
“O Chile vai atender Chile, Bolívia e Peru. A Argentina vai atender Argentina, Uruguai e Paraguai”, afirma.
A empresa também negocia parcerias no Panamá e no México.
“Estamos negociando com um distribuidor no Panamá e também com um parceiro no México. A ideia é fechar do Chile ao México”, antecipa, com exclusividade ao DIÁRIO.
“Queremos, em dois anos, estar com o mercado latino-americano consolidado”, conclui.
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