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Jamaica recebe US$ 150 mi em título de catástrofe após passagem do furacão Melissa

Jamaica recebe US$ 150 mi em título de catástrofe após passagem do furacão Melissa

A Jamaica vai receber um título de catástrofe (cat bond) emitido em 2024 e organizado pelo Banco Mundial, recebendo US$ 150 milhões para financiar a reconstrução após a passagem do furacão Melissa, que devastou parte da ilha no fim de outubro. O pagamento foi liberado porque o furacão atingiu os parâmetros de gatilho definidos no contrato, que incluem a velocidade dos ventos e a extensão dos danos registrados, segundo informações da revista The Economist.

O cat bond jamaicano, com validade de três anos, foi estruturado com apoio da empresa global de análises de risco e soluções avançadas para o setor financeiro (Centre for Research in Internacional Finance – CRIF) e do Global Risk Financing Facility (GRiF), fundo fiduciário multi-doador administrado pelo Banco Mundial em conjunto com países do G7 para fortalecer a resiliência financeira de nações vulneráveis a eventos climáticos extremos.

O instrumento faz parte de uma estratégia do governo jamaicano de reduzir a dependência de empréstimos emergenciais e ampliar o uso de mecanismos de seguro paramétrico, no qual o pagamento é feito automaticamente quando certos parâmetros físicos (como velocidade do vento ou intensidade de chuva) são atingidos.

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O economista jamaicano Nigel Clarke, ministro das Finanças, afirmou que o acionamento do título “demonstra o valor de ferramentas financeiras inovadoras que permitem uma resposta rápida após desastres naturais, protegendo a estabilidade fiscal do país”.

Mercado de cat bonds

De acordo com o Banco Mundial, o mercado global de cat bonds ultrapassou US$ 45 bilhões em circulação, e tem crescido a taxas recordes diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos. Na América Latina e Caribe, países como México, Chile e Colômbia também já recorreram a esse tipo de mecanismo.

O montante de US$ 150 milhões, embora modesto diante das perdas totais estimadas entre US$ 48 bilhões e US$ 52 bilhões, representa um alívio financeiro imediato para o país, que enfrenta uma das piores crises naturais de sua história recente. “O cat bond dá fôlego imediato ao governo para reconstruir estradas, hospitais e escolas, sem precisar recorrer a endividamento”, explicou um porta-voz do Banco Mundial.

O furacão, classificado como categoria 5, destruiu moradias, afetou a infraestrutura portuária e energética e paralisou o turismo, principal atividade econômica jamaicana. Segundo a Reuters, ao menos 50 pessoas morreram em todo o Caribe, e a reconstrução da ilha pode levar anos.

Especialistas ouvidos pelo Financial Times afirmam que a lacuna entre o seguro e os danos reais evidencia o descompasso entre o avanço das finanças climáticas e a intensidade dos eventos extremos. “Esses instrumentos são vitais, mas insuficientes diante da escala das mudanças climáticas”, pontuou o economista climático Peter Newman.

A experiência jamaicana pode servir de modelo para outras economias vulneráveis. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o mercado global de cat bonds deve ultrapassar US$ 50 bilhões até 2026, impulsionado por países que buscam alternativas de financiamento frente ao agravamento dos eventos climáticos.



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