As ações do Itaú (ITUB4) acumulam valorização de cerca de 16% nos últimos doze meses, até o fechamento da última quinta-feira (25), confirmando o apetite dos investidores pelo maior banco privado do Brasil. O movimento, que se intensificou especialmente neste ano, faz o investidor se perguntar: passou a hora de entrar ou ainda há fôlego pela frente?
Para analistas, o desempenho da ação reflete a influência de três vetores decisivos: o cenário político, a conjuntura macroeconômica e o desempenho operacional da própria instituição.
Os resultados do banco ajudam a responder parte dessa pergunta. No segundo trimestre deste ano (2T25), o Itaú reportou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 11,5 bilhões, avanço de 3% em relação ao período anterior e de 14,3% frente a 2024, vindo em linha ou levemente acima das expectativas do mercado. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) atingiu 23,3%, superior aos 22,5% do primeiro trimestre e aos 22,4% de um ano atrás, indicando que a instituição mantém rentabilidade elevada.
Analistas atribuem esse desempenho ao controle da inadimplência, ao aumento da margem com clientes e à expansão da carteira de crédito. “O Itaú manteve a posição de destaque entre os grandes bancos, com lucro sólido, rentabilidade elevada e até mesmo melhora no guidance, o que acaba reforçando sua consistência como o player previsível do setor. O risco, contudo, está no fato de que o mercado já precifica essa superioridade, deixando menos espaço para surpresas positivas”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Entre os relatórios publicados, o Bradesco BBI ressaltou a melhora da margem financeira líquida e ajustou para cima suas projeções nessa frente, mesmo com postura cautelosa na concessão de crédito. O Morgan Stanley observou provisões menores do que o esperado e crescimento acima do previsto na receita de seguros, enquanto o BTG Pactual apontou a retomada da rentabilidade do varejo e a elevação do índice de capital principal (CET1), que segue acima da média dos pares privados.
Ainda assim, o ambiente político e regulatório voltou a pressionar os papéis. No pregão de 19 de agosto, o Itaú recuou 3,05%, contribuindo para a queda de 2,1% do Ibovespa. O movimento ocorreu após a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que leis ou determinações de outros países só têm efeito no Brasil se validadas pela justiça nacional, medida ligada à Lei Magnitsky dos EUA, que inclui sanções ao ministro Alexandre de Moraes.
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Apesar de não ser citado nominalmente, o banco passou a ser observado pelos investidores, que, desde então, ponderam possíveis efeitos sobre operações em dólar e serviços financeiros, mantendo atenção aos passos do Itaú diante do cenário.
No Itaú Day deste ano, realizado em 2 de setembro, o banco apresentou sua nova fase de crescimento, focada em aumentar a eficiência, expandir a carteira de crédito e reforçar a liderança em diferentes segmentos. A meta, segundo os executivos da instituição, é reduzir o índice de custo sobre receita, conhecido como índice de eficiência, de 39% para perto de 30% e dobrar a carteira de crédito até 2030, incluindo o varejo massificado, que ainda não dá lucro.
Analistas da Genial Investimentos lembram que o banco vem melhorando a eficiência há décadas e agora pretende transformar parte desses ganhos em rentabilidade, elevando o ROE para mais de 25%, acima do custo de capital estimado em 15%, o que torna as ações do Itaú atraentes.
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A corretora também diz que, o Itaú mostra bons resultados em diferentes frentes de atuação. No atacado, o banco mantém ROE próximo de 30% e gerencia R$ 1,1 trilhão em ativos, confirmando sua liderança nesse segmento. No agronegócio, a instituição aproveita o espaço deixado por concorrentes para ampliar operações garantidas, mirando expansão e rentabilidade. Fora do país, afirma a Genial, o desempenho também chama atenção: no Uruguai, o ROE chega a 38%, no Paraguai a 28%, enquanto o Chile se destaca pelo alto nível de satisfação dos clientes.
Para a Reuters, André Rodrigues, responsável pelas áreas de Pessoa Física e Seguros do Itaú, afirmou que o banco está redesenhando seus públicos-alvo dentro de um conjunto de mudanças profundas no varejo. Ele reiterou a expectativa de dobrar novamente a carteira de clientes de Pessoa Física até 2030, mantendo “muita qualidade de portfólio”, e disse acreditar que o novo normal do banco será alcançar indicadores de crédito e rentabilidade elevados.
Rodrigues também comentou que o foco será nos clientes de média e alta renda, enquanto mercados menos atrativos terão espaço reduzido, e que o banco está pivotando o atendimento tradicional via agências para modelos digitais ou remotos, com meta de 75% dos clientes atendidos digitalmente em dois ou três anos, ante menos de 15% atualmente.
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Para Alexandre Abu-Jamra, CEO da Klooks, o Itaú se destaca pela combinação de rentabilidade elevada e resultados previsíveis. Esse desempenho confiável, diz ele, transforma o banco em um ponto de referência no setor e ajuda a explicar seu valor de mercado mais alto em relação aos concorrentes. “O principal cuidado para o investidor é a sensibilidade do setor bancário ao cenário macroeconômico — mudanças nas taxas de juros, inflação e emprego podem impactar os resultados”, alerta.
Na mesma linha, Ângelo Belitardo Neto, diretor de gestão da Hike Capital, afirma que o Itaú é atualmente a ação mais indicada pelos analistas, reunindo crescimento de lucro, eficiência operacional, pagamento de dividendos previsível e controle da inadimplência, fatores que reforçam a confiança do mercado.
Segundo a XP Investimentos, o Itaú teve sua posição aumentada de 10% para 12,25% na carteira Top Ações em setembro. Apesar das dúvidas sobre o valuation do banco, a corretora mantém visão construtiva e considera ITUB4 como sua ação preferida. A casa tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 43 para R$ 45.
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A Genial Investimentos também destaca o Itaú como referência no setor bancário. A corretora aponta que o Itaú está bem capitalizado, com provisões acima do necessário e espaço para melhorar a eficiência, mantendo resultados previsíveis e operação estável. Por isso, mantém recomendação de compra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 43,80, e destaca as ações ordinárias ITUB3, que estão mais baratas.
O Bradesco BBI segue com recomendação outperform, ou seja, desempenho acima da média do mercado, com preço-alvo de R$ 44. O Morgan Stanley também indica compra (overweight, exposição acima da média do mercado) para os recibos de ações negociados na Bolsa dos Estados Unidos (ADRs) do Itaú, com preço-alvo de US$ 7,50, citando os resultados positivos e operação estável do banco.
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