O Irã rejeitou a proposta de cessar-fogo temporário mediada pelo Paquistão. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou nesta segunda-feira (6) que Teerã não busca uma trégua, mas o encerramento definitivo do conflito.
“Um cessar-fogo significa criar uma pausa curta para permitir que o outro lado reconstrua suas forças e cometa crimes novamente. Nenhuma pessoa racional aceitaria tal curso de ação”, disse.
A Casa Branca, por sua vez, também recuou da proposta de cessar-fogo de 45 dias discutida por mediadores. Um assessor sênior da presidência confirmou ao Axios que o plano é “uma das várias ideias em discussão” e que Trump “ainda não aprovou” o documento. “A Operação Epic Fury continua”, disse o assessor. A mesma posição foi reiterada à ABC News.
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O plano em circulação, elaborado por mediadores egípcios, paquistaneses e turcos, previa duas fases: um cessar-fogo imediato de 45 dias com reabertura do Estreito de Ormuz, seguido de negociações para um acordo definitivo a ser concluído em 15 a 20 dias.
O documento foi encaminhado ao chanceler iraniano Abbas Araqchi e ao enviado especial americano Steve Witkoff. O chefe do Exército do Paquistão, marechal Asim Munir, atuou como articulador central, mantendo contato durante a madrugada com o vice-presidente americano JD Vance, com Witkoff e com Araqchi, segundo a Reuters.
Baqaei deixou claro que Teerã exige garantias de que o conflito não será retomado, mas descartou que organismos internacionais possam oferecê-las. “Não há garantia legal ou internacional. Infelizmente, as Nações Unidas mostraram na maioria dos casos que se tornam um instrumento nas mãos dos Estados Unidos”, disse.
Para o porta-voz, a única garantia válida é o próprio poder de dissuasão iraniano: “O inimigo deve ser levado a se arrepender de suas ações de tal forma que não tenha mais coragem de agir contra a soberania do Irã.”
Trump deve falar sobre o tema às 14h desta segunda-feira, em coletiva na Casa Branca.

