Guarda Revolucionária incluiu a Boeing em lista de 18 companhias norte-americanas que poderão ser atacadas caso novos líderes iranianos sejam mortos
As ameaças da Guarda Revolucionária do Irã a empresas dos Estados Unidos passaram a incluir também a Boeing, ampliando o alcance do discurso de retaliação iraniano para além das big techs e puxando o setor aeroespacial para o centro da crise.
Segundo a AFP, o comunicado divulgado no dia 31 de março, lista dezoito companhias que o regime iraniano afirma serem “cúmplices de assassinatos seletivos” de autoridades e adverte que suas instalações no Oriente Médio poderão ser atacadas caso novos líderes do país sejam mortos.
Embora Apple, Google e Meta tenham concentrado a maior parte da repercussão inicial, a inclusão da Boeing muda o peso do recado. A ameaça desloca a crise para um campo mais sensível à aviação e à infraestrutura estratégica, já que a empresa é associada não apenas à aviação comercial, mas também à cadeia de defesa e ao aparato aeroespacial dos Estados Unidos.
Em termos políticos, a menção à Boeing reforça a tentativa de Teerã de ampliar o leque de alvos simbólicos, vinculando grandes grupos corporativos ao esforço militar de Washington na região.
No texto atribuído à Guarda Revolucionária, as empresas listadas podem ter suas unidades destruídas em retaliação a cada novo ataque cometido em território iraniano. O comunicado ainda aconselha funcionários dessas corporações a deixarem imediatamente seus locais de trabalho para preservar a própria vida, o que dá à ameaça um caráter operacional mais explícito e eleva as tensões no Oriente Médio.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Irã perdeu mais de dez autoridades de alto escalão, entre elas o líder supremo Ali Khamenei e o então chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani. A morte mais recente citada foi a do comandante naval da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, atingido em um bombardeio israelense em Bandar Abbas.
Para a Boeing, o impacto imediato da ameaça é menos industrial do que estratégico. Ainda que o foco declarado sejam unidades da empresa instaladas em países do Golfo, a simples inclusão em uma lista pública de possíveis alvos amplia a percepção de risco sobre ativos corporativos ligados, direta ou indiretamente, ao setor de defesa.
Nesse enquadramento, a Boeing deixa de aparecer apenas como fabricante aeronáutico e passa a ser tratada por Teerã como parte da arquitetura de poder dos EUA no Oriente Médio.

