Um garoto de Nova York sofre com pesadelos que parecem mensagens de outra realidade e, ao persegui-los, encontra um portal que o lança em um território árido onde vive um pistoleiro exausto. Nesse lugar em ruínas, forças obscuras atacam crianças para enfraquecer a Torre, estrutura mística que sustenta muitos mundos. O encontro improvável entre o jovem e o guerreiro indica uma aliança possível contra um inimigo que manipula a vontade dos outros. Em poucos minutos, “A Torre Negra” define esse tabuleiro e avança com pressa para o confronto.
Lançado em 2017, com 95 minutos, “A Torre Negra” tem direção de Nikolaj Arcel e reúne Idris Elba, Matthew McConaughey e Tom Taylor. É adaptação de livros de Stephen King publicados no Brasil sob o título “A Torre Negra”, ciclo que mistura faroeste, fantasia e ficção científica. A narrativa cinematográfica assume como espinha a perseguição entre o pistoleiro Roland (Idris Elba) e o Homem de Preto (Matthew McConaughey), também chamado Walter, com Jake (Tom Taylor) como ponte entre o nosso mundo e o outro. Essa tríade concentra motivações claras: vingança, dominação e sobrevivência.
A escolha por apresentar o enredo a partir das visões de Jake facilita a compreensão para quem não conhece os livros e abre caminho para uma trajetória de aprendizado. O roteiro encurta trajetos, simplifica terminologias e transforma conceitos literários extensos em objetivos concretos: atravessar portais, decifrar sinais, impedir ataques à Torre. A cada nova etapa, a história favorece a ação física e a exposição direta, o que dá cadência à aventura e reduz ambiguidades. O público acompanha mudanças de cenário rápidas, guiadas por necessidade imediata e por evidências que conectam os dois mundos.
Idris Elba trabalha Roland como figura cansada, com olhar que carrega perdas e disciplina antiga. A presença física ajuda a comunicar experiência e técnica, e a relação com Jake encontra pequenos gestos de humor que aliviam a secura do personagem sem diluir sua rigidez. Matthew McConaughey empresta ao antagonista postura fria, com voz baixa e movimentos calculados que reforçam a ideia de domínio sobre os outros. Tom Taylor sustenta o eixo emocional, alternando medo e curiosidade, o que torna crível a adesão a um aliado desconhecido. A dinâmica entre os três define os riscos, pois cada escolha entre eles desloca o perigo para uma esfera mais íntima ou mais ampla.
Visualmente, a fotografia alterna tons terrosos no mundo devastado e azuis noturnos na cidade contemporânea, reforçando a impressão de fronteiras porosas entre realidades. O desenho de som valoriza recargas, impactos e silêncios curtos antes de disparos decisivos. Efeitos digitais aparecem em quantidades moderadas, suficientes para viabilizar portais, paisagens desgastadas e energias adversárias. Em vez de espalhar grandes multidões ou ambientes vastos, a encenação privilegia espaços controlados, o que garante clareza e limita a percepção de alcance do conflito.
A duração enxuta e a classificação indicativa de 12 anos no Brasil influenciam o alcance dramático. A ameaça contra a Torre é apresentada como fato, com ilustrações rápidas, o que comunica o perigo sem instaurar estranhamento duradouro. As perdas do passado de Roland são mencionadas de modo econômico, e o luto que o move aparece como motivação suficiente para a ação. Esse desenho mantém o ritmo sempre à frente e preserva a todo instante a legibilidade do conjunto, mesmo quando os deslocamentos entre mundos pedem explicações adicionais.
Quando a narrativa visita o nosso mundo, encontra passagens de choque cultural resolvidas com frases curtas e observações práticas. O pistoleiro reage a objetos cotidianos com curiosidade séria, e Jake funciona como guia que reduz distâncias. Essas situações constroem familiaridade e reforçam o vínculo entre a dupla, que depende de confiança para enfrentar um inimigo com poderes de manipulação. O efeito é o de parceria emergente em meio a uma guerra invisível para a maioria das pessoas que circulam pela cidade.
A adaptação condensa referências dos livros em sinais e pequenos objetos, agradando a quem reconhece nomes e códigos, mas sem exigir repertório para acompanhar a jornada. Essa estratégia preserva autonomia do filme e, ao mesmo tempo, sugere a presença de um mundo mais amplo. O custo dessa decisão é a redução do mistério que acompanha a Torre e dos dilemas filosóficos que cercam destino, livre-arbítrio e repetição histórica. Na tela, a função narrativa prevalece sobre a inquietação que costuma atravessar o ciclo literário, o que mantém a história em registro de aventura direta.
A música adota pulsos discretos que impulsionam a progressão sem competir com ruídos de armas e portas dimensionais. O trabalho de montagem favorece transições nítidas entre cenários e concentra a atenção nos trajetos da dupla central. A escolha por confrontos em espaços confinados ajuda a garantir noção de direção durante as lutas e evita confusão visual. Esses elementos técnicos, combinados, sustentam um filme direto, de foco claro, com ações que se encadeiam a partir de objetivos simples e verificáveis, como resgates, investigações e deslocamentos.
O resultado prioriza a clareza do conflito e o avanço contínuo dos personagens em detrimento da estranheza que o material literário costuma provocar. Quem busca aventura rápida encontra referências suficientes para entrar nesse universo e acompanhar a missão sem sobressaltos de compreensão. Quem espera o assombro metafísico das páginas talvez sinta falta de perguntas que ecoem após a sessão. Essa diferença de expectativas ajuda a explicar a divisão de reações ao projeto e mantém aceso o interesse por eventuais expansões desse território.
Nos minutos finais, a história preserva a possibilidade de novas incursões por mundos conectados e de exploração de elementos que aqui receberam tratamento breve. A continuidade desse caminho depende da recepção do público e da disposição de aprofundar conceitos apresentados, como a própria Torre e os códigos de conduta dos pistoleiros. Há espaço para evoluir relações, ampliar ameaças e visitar lugares apenas citados nos livros de Stephen King, base do projeto. O destino dessa combinação de faroeste e fantasia pode se apoiar no que já está posto e testar desdobramentos em direção a regiões ainda pouco mapeadas.
Filme:
A Torre Negra
Diretor:
Nikolaj Arcel
Ano:
2017
Gênero:
Drama/Fantasia/Ficção Científica/Western
Avaliação:
7/10
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Amanda Silva
★★★★★★★★★★
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