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Infraestrutura precária causou acidente com Boeing 737 na Coreia do Sul

Auditoria estatal revela que a Coreia do Sul aprovou estruturas aeroportuárias fora dos padrões por mais de 20 anos

Uma auditoria estatal identificou que o Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes da Coreia do Sul aprovou estruturas aeroportuárias fora dos padrões de segurança e priorizou redução de custos em projetos de infraestrutura por mais de duas décadas.

As conclusões constam em relatório divulgado hoje (11), após investigações relacionadas ao acidente envolvendo um Boeing 737-800 (HL8088) da Jeju Air ocorrido em dezembro de 2024 no aeroporto de Muan e que resultou em 179 mortes.

Estrutura aprovada sem avaliação de risco

Segundo o relatório, o ministério autorizou, em 2003, a construção de um aterro de concreto para elevar o localizador do sistema de pouso por instrumentos (ILS) acima do nível da pista no aeroporto de Muan. A decisão teria sido tomada para evitar custos adicionais associados à remodelação do terreno.

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A investigação concluiu que a estrutura foi aprovada sem a realização de uma avaliação adequada de risco operacional. De acordo com os investigadores, a estatal Korea Airports Corporation (KAC) chegou a solicitar uma revisão da obra em 2007, mas nenhuma modificação foi implementada.

Impacto da estrutura no acidente

No acidente com o avião da Jeju Air, a aeronave sofreu colisão com aves durante a aproximação final, executou um pouso de emergência com a fuselagem e ultrapassou o final da pista, colidindo com uma base de concreto que sustentava a antena do localizador.

A estrutura, instalada sobre um aterro de aproximadamente 2,4 metros de altura, não se fragmentou facilmente no impacto. A rigidez do conjunto contribuiu para o agravamento das consequências do acidente.

Dos ocupantes da aeronave, apenas dois comissários que estavam na parte traseira sobreviveram.

Instalações fora do padrão

A auditoria também apontou problemas sistêmicos na implantação de equipamentos de navegação aérea.

O relatório identificou que o ministério aprovou indevidamente quatorze instalações de localizador consideradas não conformes em oito aeroportos do país. Entre eles, está o aeroporto internacional de Jeju, de onde parte um dos voos domésticos mais movimentados do mundo.

As estruturas avaliadas apresentavam características incompatíveis com padrões de segurança aplicáveis a sistemas de auxílio à navegação e zonas de segurança de pista.

Modernização reforçou estruturas

Entre 2019 e 2024, durante um programa de modernização aeroportuária, a KAC reforçou o aterro de concreto em Muan e estruturas semelhantes em outros quatro aeroportos.

Segundo o relatório, a medida aumentou ainda mais a rigidez das instalações, ampliando potenciais riscos em cenários de excursão de pista ou colisão durante pousos de emergência.

Falhas na gestão de risco

A auditoria também identificou deficiências no gerenciamento de riscos relacionados a colisões com pássaros (bird strike). O ministério recebeu notificações de cerca de trinta casos envolvendo irregularidades ou falhas procedimentais em segurança operacional.

Entre os problemas apontados estão o treinamento insuficiente de pilotos para cenários de colisão com aves e pousos de emergência com fuselagem, metodologias de avaliação de risco consideradas inadequadas e ausência de consideração adequada de rotas migratórias de aves.

O relatório cita especificamente a presença de aves migratórias como o marreco-de-baikal (Baikal teal), espécie envolvida na colisão que antecedeu o acidente.

Medidas disciplinares

Após a divulgação das conclusões, o Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes disse que adotará medidas de acompanhamento rigorosas para corrigir as falhas apontadas.

As autoridades de investigação sul-coreanas determinaram sanções disciplinares a responsáveis e exigiram a implementação de procedimentos mais rigorosos para impedir a instalação de infraestruturas aeroportuárias fora de conformidade.

Segundo o relatório, melhorias em instalações de localizador em três aeroportos ainda permanecem pendentes. No caso do aeroporto de Muan, a área do localizador permanece preservada como parte da investigação oficial do acidente.





Fonte

Redação

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