O Brasil e o mundo enfrentaram uma alta nos preços dos ovos, especialmente entre o final do ano passado e o início de 2025. Internacionalmente, se usou o termo “eggflation”, por conta do peso do produto nos respectivos índices de inflação de cada país.
Em entrevista ao Raiz do Negócio, sua estrada entre o campo e a Faria Lima, um podcast do InfoMoney em parceria com The AgriBiz, o fundador da Mantiqueira, Leandro Pinto, afirmou que isso aconteceu por conta da soma de alguns fatores, especialmente no quesito oferta x demanda.
Resumidamente, o conceito de oferta x demanda explica que, quanto maior a demanda e menor a oferta, maior será o preço de um bem. O inverso também é válido.
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Isso acontece porque, quanto mais pessoas desejam o mesmo item – e este se encontra, por qualquer que seja o motivo, com disponibilidade limitada -, o valor a ser cobrado tenderá a ser maior, por conta, justamente, deste alto interesse. E, quando se tem um desequilíbrio em uma dessas partes – seja na oferta ou na demanda -, o preço será afetado.
E foi justamente esse ponto que sofreu um revés nos últimos meses. A demanda por ovos no mundo tem sido crescente. E, recentemente, casos de gripe aviária começaram a estourar em diferentes países. Os Estados Unidos, por exemplo, tiveram que importar a commodity brasileira para, justamente, resolver essas questões: falta de ovos por contaminações de aves e consequente aumento nos preços.
O Brasil também passou pela gripe aviária, mesmo que afetado em uma escala muito menor. “Se eu diminuo a produção por um problema sanitário, vai gerar falta. Várias vezes, nós, produtores de ovo, colocamos uma nota de R$ 20, de R$ 50, dentro de uma caixa de ovo, para poder entregar ao consumidor (com prejuízo ou lucro menor). Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca nunca acabe.”
Leandro salienta que o mercado tem “curvas longas” de adaptação. Não necessariamente uma ação consegue influenciar toda a cadeia em curto prazo.
“O ciclo da galinha é muito longo, de cerca de dois anos”, explicou. Para além disso, uma galinha poedeira, com condições de ajudar a abastecer a granja, demanda uma preparação de, ao menos, seis meses. Portanto, mesmo quando há falta no mercado, o processo de substituir as aves infectadas por outras em situação saudável não é tão simples.
“Não é uma coisa que você fala assim: ‘eu vou regular o mercado, ligando uma máquina ou desligando’. Nós estamos falando de coisas vivas”, finalizou.
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