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Indicado ao Oscar, documentário da HBO Max mostra rotina tensa em clínica de aborto

Indicado ao Oscar, documentário da HBO Max mostra rotina tensa em clínica de aborto

Os anos se sucedem, a humanidade faz alguns progressos, comete outros tantos deslizes, mas uma pergunta não deixa de reverberar ao longo dos anos: até onde pode ir nossa insensibilidade e nossa insensatez? O expediente de subjugar pessoas a fim de impor uma determinada moral é uma constante nas sociedades de qualquer país, a despeito da época que se deseje considerar. No mundo ideal, crianças só nasceriam depois de cumpridas algumas etapas. Na vida como ela é, contudo, o Estado precisa intermediar equívocos e o remorso de pessoas adultas, a fim de reparar um mal maior, ponto de vista exposto em “O Diabo Não Tem Descanso”. Em 31 minutos, as diretoras Geeta Gandbhir e Christalyn Hampton acompanham a rotina no Centro de Saúde Feminista para Mulheres, uma clínica de aborto de Atlanta, Geórgia, e captam a tensão de pacientes e funcionárias, alvos do assédio obstinado dos mensageiros do apocalipse.

A guardiã

Entre 5h30 e seis da manhã, Tracii, a chefe de segurança do centro, chega para mais um dia de trabalho. Ela vai acendendo as luzes das salas, liga os computadores, separa o lanche a ser distribuído e faz uma ronda à procura de invasores. Tão desambiciosa quanto precisa, essa sequência resume o que Gandbhir e Hampton mostrarão pouco depois, 46 mulheres de todo o país que chegam ressabiadas, melancólicas, algumas demonstrando alívio, fugindo dos militantes de congregações evangélicas armados de cartazes com versículos da Bíblia e bradando discursos e sentenças de condenação eterna ao megafone. Mas nem todas são atendidas.

Um número e um destino

A gerente de agendamentos explica que, de acordo com a lei da Geórgia, só quem ainda não cruzou a sexta semana de gravidez pode ser recebida, e recomenda a uma mulher que solicite atendimento numa clínica da Flórida. As que puderam entrar são levadas a um pequeno consultório nos fundos do prédio, onde uma técnica de ultrassom as espera. Caso ela confirme que a paciente enquadra-se na exigência legal, uma médica aparece para aspirar o saco vitelino, onde o feto iria se desenvolver e, sob a perspectiva da ciência, liquidar a questão. E esse é o problema em “O Diabo não Tem Descanso”. Em nenhum momento se atribui às mulheres que submetem-se à interrupção da gravidez alguma responsabilidade, e o livre-arbítrio é citado só como defesa contra os fanáticos na porta da clínica. Aos dois grupos falta prudência, e é aí que o diabo mora.

Filme:
O Diabo não Tem Descanso

Diretor:

Geeta Gandbhir e Christalyn Hampton

Ano:
2024

Gênero:
Documentário

Avaliação:

7/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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