Índia e França avançam em negociações para um novo acordo de caças Rafale para a Força Aérea Indiana
A Índia e a França estão avançando nas discussões para um novo acordo de fornecimento de caças Dassault Rafale à Força Aérea Indiana (IAF), em um movimento que pode resultar em uma encomenda de grande porte combinada com ampliação significativa da fabricação local.
As tratativas devem ganhar ritmo antes da visita do presidente francês Emmanuel Macron à Índia, prevista para fevereiro.
Segundo informações divulgadas pelo jornal indiano The Economic Times, Nova Delhi avalia um modelo de aquisição governo a governo que integre um pedido substancial de aeronaves de combate com a expansão do parque industrial aeronáutico no país, em resposta à redução do número de esquadrões operacionais da IAF.
Contexto político e industrial
Macron tem viagem programada à Índia para participar de uma cúpula focada em inteligência artificial, porém, a imprensa indiana indica que a cooperação industrial em defesa deverá ocupar posição central nas conversas paralelas, incluindo os dossiês relacionados ao Rafale e a parcerias no segmento de motores aeronáuticos.
Programa MRFA e necessidade operacional
As negociações estão diretamente ligadas ao requisito histórico da Força Aérea Indiana por 114 caças no âmbito do programa Multi-Role Fighter Aircraft (MRFA). Embora o número exato de aeronaves Rafale incluídas na proposta em discussão ainda não esteja definido, fontes citadas pela mídia local afirmam que o planejamento da IAF continua baseado na necessidade desta quantidade de aeronaves de combate.
Nos últimos meses, a Força Aérea Indiana tem defendido uma aquisição direta do Rafale por meio de acordo intergovernamental, apontando a urgência criada pela redução de esquadrões e a vantagem de já dispor de infraestrutura logística e de treinamento estabelecida no país para o modelo.
Redução da frota de caças
O argumento da IAF para ampliar a frota de Rafales ocorre em um cenário de contínua redução de sua força de caça. A retirada dos últimos MiG-21 em 2025 deixou a Força Aérea Indiana com cerca de 29 esquadrões, número significativamente inferior ao patamar autorizado de mais de quarenta, conforme dados oficiais.
Atrasos na incorporação do caça leve Tejas Mk1A intensificaram a pressão por soluções de curto prazo que possam ser rapidamente operacionalizadas e integradas à infraestrutura existente.
Produção local como eixo central
A ampliação da fabricação doméstica surge como elemento central do possível acordo. Em junho, a Tata Advanced Systems Limited (TASL) e a Dassault Aviation assinaram um contrato para a produção de seções de fuselagem do Rafale em uma nova fábrica em Hyderabad, a primeira linha desse tipo fora da França.
A expectativa é que as primeiras unidades sejam entregues no exercício fiscal de 2028, com aumento gradual da produção para cerca de 24 fuselagens por ano, destinadas ao mercado indiano e a exportações.
A imprensa indiana disse ainda que um pacote industrial mais amplo está em negociação, incluindo uma parceria entre a Hindustan Aeronautics Limited (HAL) e a Safran para a instalação de uma planta de produção de motores em Hyderabad, além de um centro de manutenção, reparo e revisão (MRO) próximo a Jewar, em Uttar Pradesh, nas imediações do futuro aeroporto internacional de Noida.
Localização de subsistemas críticos
Iniciativas adicionais para a nacionalização de subsistemas avançados também estão em andamento. A Thales anunciou recentemente uma parceria com a empresa indiana SFO Technologies para a produção de estruturas cabeadas do radar RBE2 AESA do Rafale.
Frota atual e contratos existentes
Atualmente, a Índia opera 36 caças Rafale na Força Aérea Indiana, entregues no âmbito de um acordo intergovernamental assinado com a França em 2016. Em abril de 2025, o governo indiano firmou um contrato separado para a aquisição de 26 Rafale M de emprego embarcado destinados à Marinha Indiana, com entregas previstas até 2030.
Os quatro primeiros Rafale M devem chegar em 2029, com o restante sendo entregue entre 2030 e 2031, estabelecendo parâmetros de custo e cronograma que servem como referência para um eventual pacote ampliado voltado à IAF.
Cooperação futura em aviação de combate
O Rafale também ocupa posição estratégica nas discussões mais amplas sobre o futuro da aviação de combate franco-indiana. A França sinalizou abertura para a evolução do padrão Rafale F5 e para uma cooperação aprofundada em motores e sistemas de próxima geração.

