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Hypera anuncia aumento inesperado de capital, divide avaliações no mercado e ação cai

A Hypera (HYPE3) anunciou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, equivalente a cerca de 20% da dívida líquida e a uma diluição potencial de 10% para os acionistas, por meio da emissão privada de até 70,6 milhões de ações ao preço de R$ 21,25, um desconto de aproximadamente 17% em relação ao preço atual. Os papéis HYPE3 abriram em queda de cerca de 5% após quase 20 minutos em leilão; às 10h20 (horário de Brasília), os ativos caíam 3,20%, a R$ 24,81.

Os acionistas controladores, que detêm 53% do capital, se comprometeram a exercer integralmente seus direitos de preferência, enquanto a Votorantim, com participação de 11%, assumiu o compromisso de subscrever até R$ 1 bilhão (cerca de 67% do total). Segundo a empresa, a operação busca reduzir alavancagem e reforçar a posição de caixa para eventuais movimentos oportunísticos, orgânicos ou inorgânicos.

O Bradesco BBI avalia que o aumento de capital da Hypera foi uma surpresa e tem efeitos mistos. Embora a operação reduza a relação dívida líquida/Ebitda projetada para 2026 em cerca de 20%, ou 0,5 vez, para 2,0 vezes, a diluição aproximada de 10% ocorre a um desconto relevante, o que pressiona as estimativas de lucro por ação. Com isso, o BBI revisou o lucro por ação (EPS) projetado para 2026 para R$ 2,60 por ação, queda de 6%, elevando levemente o múltiplo preço/lucro estimado para o período para 9,7 vezes.

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Ainda assim, o banco considera que a alavancagem atual da companhia, estimada em 2,7 vezes ao final de 2025, não representa um problema relevante, diante do forte potencial de geração de caixa. O BBI projeta fluxo de caixa livre de R$ 855 milhões em 2026 e cerca de R$ 1,4 bilhão em 2027, impulsionados por um nível menor de investimentos e pela expectativa de queda dos juros.

Por outro lado, o BBI não considera a aquisição da Medley pela Hypera o cenário mais provável, porque a EMS e a indiana Sun Pharma teriam apresentado as propostas mais altas. Além disso, a Hypera tende a priorizar medicamentos de marca em detrimento de genéricos (um dos motivos pelos quais rejeitou a proposta de fusão da EMS em 2024). O preço da Medley deve ser maior (até US$ 500 milhões ou cerca de R$ 2,6 bilhões) devido à forte concorrência entre os compradores.

O BBI manteve recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 28.

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O JPMorgan também ficou surpreso com o anúncio e avalia que as ações tendem a reagir negativamente no curto prazo, dada a estimada diluição de 4% a 5% no lucro por ação.

De um lado, segundo JPMorgan, apesar de uma estrutura de capital de giro mais enxuta, sustentada por prazos menores de recebimento e estoques no canal de distribuição, o ciclo elevado de investimentos (capex), os juros altos e o endividamento bruto limitariam a redução da dívida em 2026, mesmo com a expectativa de resultados operacionais mais normalizados. De outro, o novo capital deve aliviar as pressões de caixa provocadas pelo custo financeiro — com economia estimada em cerca de R$ 150 milhões (8% do lucro) — e oferecer maior flexibilidade para novos investimentos e crescimento, já que a relação dívida líquida/Ebitda cairia para 2 vezes, ante 2,5 vezes projetadas anteriormente para o fim de 2026.

O banco ressalta que não via o balanço da empresa como um obstáculo ao crescimento esperado e aos investimentos planejados.

Apesar do bom histórico recente em aquisições, o JPMorgan avalia que o anúncio deve manter a volatilidade das ações elevada no curto prazo. Ainda assim, mantém visão positiva e recomendação overweight para a Hypera e elevou preço-alvo de R$ 32 para R$ 33, destacando a combinação de crescimento de lucro por ação, impulsionado pela desalavancagem e por resultados operacionais resilientes, com uma avaliação atraente de 9,3 vezes o P/L estimado para 2026.

O Morgan Stanley, por sua vez, avalia que o aumento de capital é positivo para acelerar a redução do endividamento da Hypera, sobretudo em um cenário de juros elevados, embora reconheça que a companhia já vinha demonstrando forte geração de caixa e poderia, de forma orgânica, levar a alavancagem para cerca de 2 vezes dívida líquida/Ebitda em dois anos. O banco destaca que essa resiliência do fluxo de caixa foi mantida mesmo durante o ajuste de capital de giro em 2024 e 2025, quando a empresa reduziu vendas para normalizar estoques nos canais de distribuição, sustentando o caixa por meio da diminuição dos recebíveis.

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Além disso, o Morgan Stanley afirma que um balanço mais enxuto amplia a flexibilidade para eventuais aquisições. No entanto, é cauteloso em relação a uma possível compra da Medley, divisão de genéricos da Sanofi, citada pela imprensa como alvo potencial da Hypera. Segundo o banco, o processo pode inflacionar o preço, com a Sanofi buscando ao menos US$ 500 milhões, o que implicaria um múltiplo elevado de EV/Ebitda para 2026, acima do valuation atual da Hypera.

O Morgan reiterou classificação de compra e preço-alvo de R$ 31.

Por outro lado, o Goldman Sachs avalia que o anúncio reforça sua visão de que a Hypera tem espaço limitado para reduzir o endividamento de forma orgânica em 2026. Segundo o banco, o fluxo de caixa operacional no próximo ano deve seguir pressionado por despesas financeiras ainda elevadas e por desembolsos relevantes de capex, o que resultaria em geração limitada de caixa livre ao acionista. Somado ao pagamento de juros sobre capital próprio, esse cenário levaria a uma redução praticamente nula da dívida líquida em 2026.

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Na avaliação do Goldman, o aumento de capital fortalece preventivamente o balanço, reduzindo a relação dívida líquida/Ebitda em cerca de 0,5 vez, para 1,9 vez em 2026, considerando a subscrição integral da oferta, em um contexto de perspectivas operacionais mais fracas e juros básicos ainda elevados no Brasil, com projeção média de 13,25% para 2026.

Diante disso, o Goldman Sachs reiterou sua recomendação neutra e preço-alvo de R$ 25.



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