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Humor e tensão se cruzam em thriller de ação bizarro com Jack Quaid, agora na Netflix

Humor e tensão se cruzam em thriller de ação bizarro com Jack Quaid, agora na Netflix

Em “Novocaine”, Nathan Caine (Jack Quaid) leva uma vida calculada no limite do possível. Executivo bancário, educado, discreto, ele convive desde o nascimento com a CIPA, condição genética que o impede de sentir dor física. Para não se ferir sem perceber, ele segue rotinas rígidas, usa alarmes para lembrar de necessidades básicas e evita qualquer situação fora de controle. É um homem treinado para não chamar atenção, e para sobreviver dentro de regras muito bem definidas.

Tudo muda quando o banco onde trabalha é invadido durante um assalto violento. No meio do caos, uma colega próxima, Sherry (Amber Midthunder), acaba no centro da crise. A partir daí, Nathan é forçado a sair da posição confortável de espectador cuidadoso e assumir um papel ativo, mesmo sem qualquer preparo para o confronto físico. O que antes era tratado como fragilidade passa a ser, aos poucos, uma vantagem prática em situações extremas.

“Novocaine” aposta numa premissa simples e eficaz: o corpo de Nathan aguenta impactos que parariam qualquer outra pessoa, mas isso não o transforma automaticamente em herói. Jack Quaid interpreta esse contraste com inteligência, equilibrando vulnerabilidade emocional e uma resistência física quase absurda. O filme faz questão de mostrar que não sentir dor não significa não sofrer, apenas muda a forma como o risco se manifesta.

Amber Midthunder traz presença forte como Sherry, personagem que foge do arquétipo da vítima passiva e adiciona camadas de ambiguidade à trama. Já Ray Nicholson surge como uma figura instável e ameaçadora, funcionando como força de pressão constante que empurra Nathan para decisões cada vez mais perigosas. O conflito entre eles não depende apenas de força bruta, mas de controle, leitura de ambiente e timing.

A direção de Dan Berk e Robert Olsen mantém o ritmo acelerado sem perder clareza narrativa. As cenas de ação são diretas, muitas vezes brutais, mas frequentemente atravessadas por um humor seco, quase desconfortável, que nasce justamente da reação alheia aos ferimentos que Nathan ignora. O riso surge não como piada fácil, mas como resposta nervosa ao absurdo da situação.

O filme também acerta ao usar a comédia como ferramenta de tensão. Cada vez que Nathan se machuca sem perceber, o espectador entende o perigo antes dele. Isso cria um suspense constante, porque o corpo aguenta, mas o limite está sempre ali, invisível. A trilha, a montagem e o uso do espaço urbano reforçam essa sensação de urgência permanente.

“Novocaine” não tenta transformar sua ideia central em discurso grandioso. Ele prefere acompanhar, passo a passo, como alguém comum reage quando perde a possibilidade de se esconder atrás da própria cautela. O resultado é um thriller ágil, violento na medida certa e surpreendentemente humano, que funciona tanto pela ação quanto pelo carisma do protagonista.

Sem reinventar o gênero, o filme se destaca por saber exatamente o que quer ser: uma história de sobrevivência fora do padrão, conduzida por um personagem improvável, que descobre tarde demais que não sentir dor não significa estar imune às consequências.

Filme:
Novocaine: À Prova de Dor

Diretor:

Dan Berk e Robert Olsen

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Comédia/Crime/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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