Tanto eu quanto os cinco ou seis leitores desta coluna já andávamos estranhando, entre a preocupação e o sincero alívio, o silêncio renitente e um bocado ensurdecedor do aziago Seu Osvaldo, lá do seu guichê insalubre e empoeirado da rodoviária de Quiprocó da Serra de Santo Grande do Sul.
Pois eis que na manhã desta segunda acordo com um e-mail dele na caixa postal.
“Dileto escrevedor degredado, anseio que estas minhas linhas aqui digitadas por nosso amigo Dênis Enrique, porque eu sou avesso a ficar escrevendo cartinha no computador, encontrem o senhor e sua estimada família gozando da mais plena saúde.
Se agora lhe escrevo é porque estava lendo curiosidades no hebdomadário aqui de Quiprocó, a vetusta gazeta publicada há cinco gerações pela família Marcondes Rocha e Silva, e entre agourentas notícias de alguma guerra nova por aí e informes sociais da localidade (proclamas, óbitos, aniversários, desquites, formaturas, bailes de debutantes e congêneres), esbarrei, com espanto, com nota curta sobre a Europa discutindo o fim do horário de verão, esta excrescência em forma de excepcionalidade a atordoar relógios.
Imaginava eu que tal fosse um tema superado nos parlamentos, rodas de grapa e debates correlatos no Velho Mundo, haja visto notório entendimento contemporâneo de que os dias atuais, pelo uso hodierno dos recursos, prescindam de arbitrários ajustes cronológicos artificiais.
Ouso dizer, inclusive, e aqui tenho a certeza de que o xereta Dênis Enrique há de concordar com minha opinião, que o encerramento de tal regime extraordinário em terras nacionais foi o único legado positivo da funesta passagem pelo cargo mais importante do país daquele que hoje tem o status de presidiário, recluso, preso, encarcerado, condenado, obrigatoriamente alheio ao convívio social real e virtual, etc.
Outrossim, quero deixar registrada nesta nossa correspondência o intrigante fato de que se, por um lado, o fuso horário deixa o senhor sempre horas à frente da gente, como se fosse um agente do futuro ditando ensinamentos para trás, a verdade obsequiosa de que o povo onde voluntário está inserido abaixa a cabeça para autoridades e cumpre, de forma leal e zelosa, os ditames de um governo para ajustar relógios e, por conseguinte, rotinas, é prova inconteste de que em termos de desenvolvimento intelectual e humano, Quiprocó está léguas adiante do seu nariz.
Isto posto, despeço-me sem mais a acrescentar senão meus votos renovados de paz aos seus entes, saúde aos seus doentes, lucidez aos seus dementes e primavera às sementes. Com cabisbaixa consideração e adunca estima, um fraterno abraço do amigo,
O.”
Jamais saberemos o quanto deste maledicente texto foi obra autoral do meu ranzinza favorito e qual foi o peso, se houve, da interferência pontiaguda e ferina do Dênis no teor do e-mail por mim recebido — o rapaz é dado a abusar de sinônimos na hora de exaltar e ressaltar condições negativas daqueles por quem nutre desafeições. Ignoro ambos.
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